Em três museus, modernos e contemporâneos

Guggenheim, MoMA e Metropolitan exibem exemplos da importância da fotografia para a arte em geral

Tonica Chagas, Nova York, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

No período entre as duas guerras mundiais do século 20, a fotografia virou um símbolo de modernidade e se estabeleceu como forma de arte. Hoje ela tem papel preponderante na produção artística contemporânea. Exemplos dessas etapas são revistos em exposições especiais que três instituições culturais nova-iorquinas exibem neste fim de ano.No Guggenheim Museum, Foto: Modernity in Central Europe, 1918-1945 explora o uso da fotografia justamente no entre guerras, quando ela se tornou um fenômeno na Alemanha, Checoslováquia, Hungria, Áustria e Polônia. Em cartaz até 13 de janeiro, a mostra traz 170 trabalhos originais e material impresso por meio dos quais se comparam diferenças regionais, temáticas ou técnicas. A recuperação após a 1ª Guerra, a vida moderna, o aprofundamento das diferenças sociais e econômicas, o surrealismo e o retorno da guerra são representados por imagens de mestres reconhecidos como o húngaro László Moholy-Nagy, a dadaísta alemã Hannah Hõch, o vanguardista russo El Lissitzky, e de alguns de seus contemporâneos menos conhecidos, como o polonês Edward Hartwig e o austríaco Herbert Bayer.O Museum of Modern Art (MoMA), que desde 1985 já exibiu obras de 63 artistas internacionais contemporâneos na mostra anual New Photography, apresenta este ano trabalhos da americana Tanyth Berkeley, do canadense Scott McFarland e da sul-africana Berni Searle. A New Photography 2007 fica em cartaz até 1º de janeiro.Em retratos quase no tamanho natural, Tanyth, de 38 anos, tem performers de rua, transsexuais, gente estranha e amigos íntimos como tema de preferência para desafiar conceitos de beleza feminina. McFarland, de 32 anos, combina digitalmente vários negativos para criar imagens superdetalhadas e reconsiderar a noção de que uma foto é a representação de um momento parado no tempo. Numa série de fotos feitas no Jardim Botânico de San Marino, na Califórnia, ele contrasta imagens de canteiros de mudas com as de áreas já cultivadas; sombras esquisitas e uma luz muito uniforme em algumas plantas dão pistas da intervenção feita pelo fotógrafo. Já Berni, de 43 anos, produz fotos, vídeos e instalações a partir de suas memórias e experiências pessoais. Em Approach, por exemplo, ela mesma aparece descalça, subindo e descendo sobre montes de cascas de uva para lembrar o processo tradicional de produção de vinho e a cultura vinícola trazida ao seu país por colonizadores holandeses e franceses.No Metropolitan Museum, a fotografia produzida a partir da década de 1960 acaba de ganhar uma galeria exclusiva para exibir obras de sua coleção em duas exposições por ano. A primeira delas, Depth of Field: Modern Photography at the Metropolitan, poderá ser vista até 23 de março e reúne obras de Dennis Oppenheim, Felix Gonzalez-Torres, Gordon Matta-Clark, Douglas Huebler, de Bernd e Hilla Becher e dos seus estudantes Thomas Struth, Thomas Ruff e Andreas Gursky, de Cindy Sherman e Richard Prince. Depth of Field também pode ser vista no site do Metropolitan (www.metmuseum.org).

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