Em DVD, Carlos Lyra e seus 50 anos de música

Compositor reuniu a turma da bossa nova em show realizado no Canecão, em 2004, já lançado em CD

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2008 | 00h00

Carlos Lyra cercou-se de amigos, em 2004, para comemorar 50 anos de carreira. Para a gravação do DVD Carlos Lyra ? 50 Anos de Música, num show no Canecão, no Rio, convocou o inseparável Roberto Menescal, um grupo de cantoras a quem admira (Leny Andrade, Wanda Sá e outras), e artistas mais jovens que são seus fãs, como Toni Garrido. À exceção desse último, os demais estão na versão em CD do trabalho, que sai pela mesma Biscoito Fino em meio aos festejos dos 50 anos da bossa nova.Considerado um dos grandes melodistas da bossa, ele continua repetindo que discorda da efeméride, já que não considera que Elizeth Cardoso (que em 1958 lançou Canção do Amor Demais, o disco com músicas de Tom Jobim, letras de Vinicius de Moraes e o violão de João Gilberto) fizesse o gênero "amor, sorriso e flor". "Dá um trabalho danado desmentir esse ?marco?. Elizeth era uma baladista e não era uma moça de classe média, o que é algo concernente à bossa nova, que não é uma distração popular", diz.Discordâncias à parte, Carlinhos gosta de se envolver nas comemorações do cinqüentenário, e de estar com sua turma. O CD, além de Menescal, Leny e Wanda, tem Leila Pinheiro, João Donato, Antônio Adolfo e Miúcha e ainda Ivan Lins e Emílio Santiago. Eles cantam e tocam suas mais belas parcerias com Vinicius (Minha Namorada, Coisa Mais Linda, Você e Eu, Sabe Você?, Primavera e Maria Moita) e Ronaldo Bôscoli (Lobo Bobo, Saudade Fez Um Samba, Se É Tarde me Perdoa e Canção Que Morre no Ar).Há também composições só dele, como Quando Chegares, a primeiríssima, de 1954. Para O Negócio É Amar ele chamou Leny, "uma das pessoas que melhor cantam essa música". Sobre Um Abraço no João (para João Gilberto), outra só sua, diz: "É tão inédita que ninguém sabe, só eu, então eu vou ter de cantar!" Ele põe voz ainda em Maria Ninguém, feita quando ainda estava no colégio. Foi "a primeira que teve sentido e prestígio". Tem Dó de Mim, divide com Wanda Sá e Menescal. "Ela é rainha de desencavar as coisas do baú. Pegou uma música minha que eu já nem lembrava, mexeu, deu um arranjo e cantou." Ele é saudado como "amigo do peito, companheiro de tudo".Como seus companheiros, Lyra faz um show atrás do outro. No Brasil, brinca que o único lugar em que ainda não cantou é o Piauí ? ele deve estar em Teresina no dia 21 de agosto, com Leny, Emílio e Fernanda Takai. Antes disso, passa por São Paulo (neste fim de semana, no Sesc Pinheiros, com Marcos Valle; 16 de agosto, no Sesc Santo André). Em setembro, apresenta-se no Nordeste; nos meses seguintes, desembarca na Alemanha e no Canadá.Carlinhos adora celebrar a bossa, mas conta que não tem "o menor interesse" no tão aguardado show de João Gilberto, em agosto ? ponto alto das comemorações. "Ele declarou que só canta samba, que não canta bossa nova. Então, prefiro o Zeca Pagodinho! Que interesse posso ter? Sou bossa-novista, então isso é quase uma ofensa pessoal a mim, ao Menescal, ao Tom. Além de não corresponder à realidade."

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