MAM RIO
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Em crise, MAM do Rio vai vender obra de Jackson Pollock

Para ser autossustentável, museu irá se desfazer da tela 'Nº 16' para arrecadar algo em torno de R$ 82,5 milhões

Roberta Pennafort / RIO, O \estado de S.Paulo

21 Março 2018 | 06h00

Pela primeira vez no Brasil, um grande museu vai se desfazer de uma obra de seu acervo para se capitalizar. Em dificuldades financeiras, o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio vai colocar à venda a tela N.º 16, de Jackson Pollock, com a qual pretende levantar US$ 25 milhões (R$ 82,5 milhões). O objetivo é criar um fundo cujos rendimentos tornem o MAM, fundado há 70 anos, autossustentável pelas próximas três décadas. 

Segundo o presidente da instituição, Carlos Alberto Chateaubriand, o custo anual do museu - instituição privada cujo acervo é calcado na arte brasileira moderna e contemporânea, e que monta 24 exposições por ano, com público de 181 mil pessoas - é de cerca de R$ 6 milhões. O déficit fica por volta de R$ 1,5 milhão. A medida vinha sendo pensado havia alguns anos.

“Com esse fundo, o MAM poderá fazer planejamentos a curto, médio e longo prazo, melhorias na infraestrutura, aumentar pessoal e atualizar o acervo de arte brasileira, preenchendo as lacunas e adquirindo obras de artistas contemporâneos”, disse Chateaubriand. 

Sem apoio de governos, o MAM, como outros museus, se ressente da falta de mecenas (o País ter mais de 40 bilionários, conforme revistas especializadas). “Práticas de doações de recursos para museus, comuns em países de outros continentes, são muito raras no Brasil”, lamentou.

Atualmente em exposição, a tela do pintor expressionista norte-americano, um quadrado de 56,7 centímetros, foi doada pelo milionário Nelson Rockefeller em 1954. Com a venda, o País pode perder seu único Pollock numa coleção aberta à visitação. “Eu choro por essa venda, que é inédita. A prática é comum no exterior, mas geralmente para comprar outra, como fez o MoMA com um Monet (vendido por US$ 15 milhões), que era superposição de acervo. Daqui a dez anos, esse Pollock valerá US$ 50 milhões”, avaliou o galerista e colecionador Max Perlingeiro.

O museu prefere que um comprador brasileiro fique com a obra, para que ela não saia daqui. Mas é pouco provável que isso aconteça, analisou o colecionador Fabio Szwarcwald, hoje diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. 

“Nunca vi pagarem mais de R$ 20 milhões num trabalho”, conta. “A decisão é acertada. Não é um Pollock tão significativo assim; não valia mantê-lo e não ter uma programação educativa bem feita, por exemplo”.

A notícia deve movimentar o mercado internacional de arte, uma vez que praticamente não existem Pollocks à venda. As principais casas de leilão do mundo com representação no Brasil – Sotheby’s, Christie’s e Phillips – serão procuradas. O dinheiro levantado será depositado em instituição fiduciária e sua movimentação auditada.

Quem é:

Jackson Pollock

Pintor norte-americano

Referência no movimento do expressionismo abstrato, Pollock (1912-1956) se tornou conhecido por seu estilo único de pintura por gotejamento, que é feita com rápidos respingos sobre a tela 

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