Em cena

HeyDov Charney associa a American Apparel à música. E, há seis meses presente no Brasil, deu cartão verde para iniciar por aqui o projeto Sessions @ American Apparel. É para incentivo de novas bandas. Para a primeira? O trio Homiepie com o Centro Cultural Batidão. No 433 da Oscar Freire.TENDÊNCIAS MODA 09: O NOVO CÓDIGO DO COOLPor conta da turbulência financeira de 2008, os próximos semestres serão mais ácidos para a maioria. Menos crédito, menos... consumo. Mas a moda está aí, assim como o desejo que aflora, pautado pelo inconsciente coletivo, pela vida, pela mídia. Ok, é humano! E é chato viver sem brilho. Só que fashionismo bruto, nesses dias, é pobreza de espírito. Fabrício Costa, criativo da marca OEstudio, falou engraçado: "Saímos de um mundo de faz de contas para um de fazer contas." O comportamento de ordem, como Em Cena já contou, é FRUGALISTA. Então, qual seria o código do novo cool? O consumo consciente, investimento no clássico e no essencial - o corpo, o eu. Estilistas e empresários de moda, que nestes dias estão no foco da press - e são figuras que imprimem vontades em você, leitor -, contam o que é essencial ter e o que fazem para o negócio deles vingar nesses tempos bicudos. Escolhemos 12 do SPFW para falar sobre o assunto ao Estado. E eles estão otimistas, mesmo com a crise. ISABELA CAPETOO Código: o menos.O Norte: "Estou reaproveitando materiais, retingindo e transformando coisas antigas em coisas novas."A coisa: o xadrez e calça harém revisitada.GLÓRIA COELHOO Código: Misturar algo especial com outro que não é nada.O Norte: "O Collor de Mello deixou a gente sem dinheiro, matou todos os velhos do Brasil. Sempre vivemos crises. Essa é de crédito e moral. Trabalho com se fosse natural." A Coisa: Um mantô de 1900 .SARA KAWASAKI da Huis ClosO Código: Unir austeridade e desejo. Difícil, mas não impossível.O Norte: "O momento é de trabalhar com excelência, portanto, o design e a qualidade estão mais apurados."A Peça: multi-?golas? de pele, que podem ser usadas como... gola. Ou deslocadas para barra ou mangas.REINALDO LOURENÇOO Código: Qualidade, não o consumismo desenfreado.O Norte: Criatividade é a maior arma para superar a crise.A Coisa: Uma peça clássica, que não siga os modismos, mas estilo pessoal.NELSON ALVARENGA da EllusO Código: O clássico e atemporal.O Norte: "A Ellus não está mudando estratégias, pois a crise não chegou para o mercado de moda ainda aqui no Brasil, se é que vai chegar. Vemos, inclusive, uma oportunidade pois, com o dólar alto, a tendência é as pessoas viajarem menos e, com isso, passarem a consumir mais no mercado interno."A Coisa: O jeans.MARCELO SOMMER de O EstilistaO Código: Consumo consciente, sem impulso.O Norte: "Como passei por outras crises, reformatei a empresa para o tamanho dessa. Hoje, tenho uma equipe pequena, uma loja só, também com equipe pequena, meu aluguel está ok, do meu tamanho."A Coisa: Uma peça de alfaiataria clássica.PRISCILA DAROLD da AnimaleO Código: Ser fiel a seus valores. Em tempos de crise, o que não é real evapora. O Norte: "Estamos investindo mais em tecnologia e design, assim, criamos produtos com diferencial e inovação." A coisa: Uma boa jaqueta.ANDREA JENSEN da Maria BonitaO Código: Consciência.O Norte: Chá de camomila e muito trabalho.A coisa: Um paletó.ANDRÉ LIMAO Código: "Meu critério de criação é o meu na hora de comprar: Isso vai durar quanto tempo? Tem cara de moda? Se for passageiro, estou fora. O momento é do quase eterno." O Norte: "Estou lançando uma linha de alfaiataria e camisaria, mantendo linguagem clássica e atualizando as proporções." A Coisa: Uma jaqueta de couro preto.RAQUEL DAVIDOWICZ da UMAO Código: Consumo inteligente. O Norte: "Reduzimos cerca de 20% nossos preços." A Coisa: Alfaiataria básica onde apliquei guipure em algodão cru. TUFI DUEKO Código: O sexy oversized, da roupa que se molda ao corpo com movimento.O Norte: "Quem cria, não pode criar pensando em crise. Meus desfile e minhas coleções foram pensadas e executadas, com todos os recursos em todas as áreas. Um exemplo disso são minhas campanhas, com Kate Moss e Daria como modelos." A Peça: LeggingVALDEMAR IÓDICEO Código: "Há com uma discussão do conceito de luxo, e onde as pessoas vão se preocupar com peças mais duráveis, seja em estilo ou materiais. É o fim do exesso de consumo."O Norte: "Não criei pensando em crise. Mas até meu desfile em NY, onde continuo no line up, entrou no corte de custos. Em vez de desfile, vou fazer showroom." A Peça: Foco no preto. No exterior, criadores veem como negro o momento. Paralela à SPFW, ocorrre a temporada de moda masculina de Milão. Miuccia Prada, que fez uma coleção clássica, disse: "Temos que enfrentar tanta coisa, que a única opção é ser na moda máximo conservadores."Na temporada de Milão, o decreto de que, para homens, o cardigã é peça mais cool do momento vem do estilista Thomas Meier: "Faz você sentir-se bem, como um abraço." De cashmere, deve ser dito. "Acho que ostentação não tem a ver com o momento", diz. A diretora do portal WGSN, Barbara Kennington, diz que a hora chegou. "É hora de sairem do jogo pessoas que viviam com negócios alavancados, que tinham estilos de vida irreais ou que pisavam em solos não sólidos." Segundo ela, apesar de dolorosa a mudança, o resultado será negócios mais transparentes. "Os que sobreviverem darão oportunidades para jovens conscientes politicamente. A massa fashion vai desacelerar. Pessoas darão mais valor às roupas bem-feitas, que não são jogadas fora de um mês para o outro. Essa coisa de comprar mais barato, em massa, mais, mais e mais, só fez formar pilhas de tecidos para reciclar."Pela primeira vez em dois anos, Adrianne Shapira, analista do Goldman Sach?s, aconselhou a venda de ações da Polo Ralph Lauren Corp. Do dia 20 para cá, caíram de US$ 51 para... U$ 37. O italiano Roberto Cavalli negocia com o fundo de equity Clessidra a venda de 15 a 20% da marca. "Acredito numa recuperação do mercado em quatro anos", diz Cavalli. Já os gêmeos canadenses Dean e Dan Caten, da DSquared, que no Brasil está nas mãos de Esber Hajli, tiram onda da crise. Mostraram em Milão coleção inspirada nos tempos de... depressão absoluta: fim dos anos 20. "Mesmo com problemas, o sol nasce. Fizemos duas silhuetas: uma mais trabalhada, com volumes embaixo; outra skinny. É para brincar com a ideia de que há gente que um dia estava rico e amanheceu pobre no outro." O hype deles? Paletós de smoking. Há 50 anos, Mercedez Dios trata fios de cabelos: borda pontas, selando-as. Na onda do novo cool, há o novo belo: mais bem tratado do que estilizado. Mercedez, dona do Laces & Hair, assina fios da modelo do momento, Ana C. Michels. A presidência do Grupo Arezzo, Alexandre Birman assume em fevereiro de 2010. E, após duas coleções competindo no mercado de superluxo com a marca que leva seu nome, Birman muda conceitos: "Por causa do atual momento, a ordem agora é o luxo acessível", diz. Os sapatos, desenvolvidos com o modelista italiano Vittorio Carletti, que passou 3 meses no Brasil até chegar à meia-pata perfeita, chegarão às clientes por ... R$ 400. "Assim, em vez de 10 mil pares por ano, nossa meta passa a R$ 100 mil!", ferve. Mais? Já de olho na horizontalização da Arezzo, Birman cria uma linha de cosméticos para pés. São hidratantes e autobronzeadores. Lança em março. Não é época de moda de praia, então a nova top dessa seara, Adriana Degreas, estreia no mercado de sportswear com uma linha de gym. Produzida por Matheus Massafera, a modelo Chris Jurack veste look.Erika dos Mares Guia está no mercado de moda há 17 anos, quando começou a produzir roupas com sua mãe, Sheila. Hoje vende a sua mais 55 marcas para. "Chegou a hora de retornar às origens", diz. Em março, expande a monomarca Mares & Guia abrindo a primeira em São Paulo. Nos próximos 5 anos, abrirá mais 12 no País. JACOBS BRASIL - Foi um namoro rápido, mas que tinha tudo para dar no que deu: a primeira flagship do americano Marc Jacobs no Brasil. Já era prevista expansão de negócios para os Brics e América Latina. Por considerar na A.L. Natalie Klein a empresária de moda que melhor representa sua marca como um todo, Marc Jacobs e Robert Duffy, sócio do estilista há 26 anos, propuseram a ela parceria. A loja abre hoje, gêmea da NKStore, na Haddock Lobo, em frente da Louis Vuitton, também desenhada por Jacobs. "É exigência dele que toda Marc Jacobs esteja próxima à da maison francesa", diz Natalie. Como na época dos primeiros contatos, em junho, a empresária havia comprado para expandir a NK o ponto vizinho - coincidentemente em frente da Vuitton -, a proposta de business dos americanos foi mais que apropriada. "Começamos a tocar o negócio sem assinar contrato", diz Natalie sobre a troca de e-mails com Stephan Jacklitch, arquiteto que faz as lojas de Jacobs. "Além de perto da Vuitton, Marc tenta também conseguir pontos em prédios históricos. Assim, crê construir uma identificação com as cidades onde chega. Como aqui seria inviável, propusemos fazer uma floresta tropical dentro da loja. Ele amou, topou na hora." Se ele estará na noite de hoje? Não. Marc está em Paris finalizando o desfile da Vuitton. Mas... dia 18 de março, ele e sua entourage chegam a São Paulo." E querem festa." E, para Jacobs, festas, quanto mais kinky... melhor!

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