Em 2.º livro, o goiano André de Leones vai ao submundo

André de Leones enfrenta o mesmo desafio desde o romance Hoje Está Um Dia Morto (Record), sua estréia. Seu problema é contar a história mantendo o leitor, ainda que nauseado, preso até o fim da narrativa. "Além de revolver recalques, mostro na ficção o estranhamento que sinto no dia-a-dia", diz. "Meus personagens são autobiográficos, tão inadequados como eu."Ele se deparou com a necessidade de apostar em outras formas, mesmo tratando dos mesmos temas. É o caso de Paz na Terra Entre Os Monstros (Record, 176 págs., R$ 25), livro de oito contos e uma novela que será lançado na Livraria da Vila, às 19 h de hoje.A obsessão com a morte permanece. O primeiro conto, que dá título ao livro, fala de uma garçonete consciente de que seria assassinada, mas, assim mesmo, não foge ao destino. Na novela Aneurisma, que encerra o livro, um homem se descobre doente, mas não procura ajuda médica. "Busquei entender por que existem pessoas que não tomam nenhuma atitude na hora da morte, entregando-se passivamente."André de Leones, de 28 anos, é um dos participantes do projeto Amores Expressos. Já entregou o livro à Companhia das Letras, mas não há previsão de lançamento. Ele nasceu em Goiânia, mas foi criado em Silvânia, no interior de Goiás. Nessa cidade, a taxa de suicídios é alta. Ele credita o fenômeno ao ambiente opressivo do município, onde dominam os colégios católicos. "Certas coisas não podemos sequer pensar." Mas André de Leones pensa, é do grupo dos arqueólogos do submundo. Resta saber se o leitor agüenta essa luz jogada nas entranhas. Serviço Paz na Terra entre os Monstros. De André de Leones. Ed. Record. 176 pág. R$ 25. Livraria da Vila. R. Fradique Coutinho, 915, 3814-5811. Hoje, 19h

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