Elias Andreato sobe o andaime

Mordomo de Beleza Pura estréia peça hoje no Rio, ao lado de Claudio Fontana, o advogado Rogério de Ciranda de Pedra

Roberta Pennafort, Rio, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2008 | 00h00

Quando começaram os ensaios da comédia Andaime, com Claudio Fontana e Cássio Scapin nos papéis de dois limpadores de janelas, o diretor, Elias Andreato, minimizou os incômodos efeitos da permanência dos atores na estrutura metálica de mais de dois metros de altura (em elogiado cenário, criado por Gabriel Villela). ''A gente falava das dificuldades, contava que o andaime balançava, que o quarto parecia girar na hora de dormir, e ele dizia que era besteira'', brinca Fontana, que agora vê Andreato ''provar de seu próprio veneno''.É que Andreato substitui Scapin na peça, que estreou em São Paulo em fevereiro de 2007 e foi considerada uma das melhores do ano, e, hoje, chega ao Teatro do Leblon, no Rio. Inicialmente, Fontana, o produtor de Andaime, encenaria o texto de Sergio Roveri com Andreato. Os dois chegaram a fazer leituras, mas ele não pôde entrar no elenco, por estar em O Avarento, com Paulo Autran. A Andreato coube, então, ''apenas'' a direção.''É bem diferente estar de fora e, agora, cumprir a partitura que eu inventei, sem ter ninguém pra cuidar de mim. Subir no andaime muda tudo! Leva-se um tempo para se acostumar'', admite.Andreato entrou em cena desde que Scapin se comprometeu com a remontagem de O Mistério de Irma Vap, dirigida por Marília Pêra. A rotina tem sido pesada. Ele não só tem de conciliar Andaime com as gravações da novela Beleza Pura (ele é o mordomo Adamastor), mas também toca os ensaios de sua peça inédita Mãe É Carma, com Karin Rodrigues, Nilton Bicudo, Iara Jamra e Francarlos Reis, e produção de Fontana. A estréia em São Paulo deve ser em setembro. ''É muito complexo, mas a profissão da gente é assim...''Há um ano, Mãe É Carma foi lida por Claudio e Paulo Autran - que funcionou como um elo entre os dois. O trio se encontrou em Adivinhe Quem Vem Para Rezar, de Dib Carneiro Neto, Andreato na direção; Paulo e Fontana no elenco. ''O prazer de fazer comédia veio com Paulo. Ele me ensinou a não ''chanchar'' a interpretação, deixando a situação levar ao riso'', lembra Fontana, animado com a estréia no Rio e que também vive correndo - além de tocar as produções, está no ar em Ciranda de Pedra como Rogério.A dupla de Andaime se encontrou ainda em Amigas, Pero No Mucho, de Célia Forte, cuja temporada carioca se encerrou recentemente. Como Claudionor e Mário, os ''trabalhadores invisíveis'' do alto do andaime fazem graça, mas provocam reflexões. ''Estamos dando espaço para pessoas comuns filosofarem sobre a vida. É muito bom quando o teatro faz isso'', diz Andreato, que faz um Claudionor menos agitado que o de Scapin, na opinião de Fontana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.