Elias Andreato compartilha seu amor e suas idéias sobre a arte

No solo Doido, faz dele as palavras de grandes pensadores

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

Qualquer criação artística só se realiza plenamente no momento de sua fruição. Porém se um livro ou uma pintura às vezes esperam anos para encontrar seu público, as artes cênicas não podem se dar a esse luxo. Cada sessão de teatro é uma criação em tempo real e única, porque se altera na relação com a plateia. Com anos de experiência, Elias Andreato conhece a importância da adequação entre obra e público.Apostando na adequação desse encontro ele estreia amanhã seu solo Doido na Livraria Cultura, onde ficará em cartaz sempre aos domingos, no horário das 14h30. "Parece estranho, mas pode ser perfeito para quem tem interesse em literatura", diz Andreato, que assina roteiro, direção e interpretação desse monólogo. Poemas de Fernando Pessoa, trechos sobre o ato de interpretar do dramaturgo francês Antonin Artaud, cenas de peças de Shakespeare e Chekhov, e de romances, como o Werther de Goethe, estão entre os textos. Costura de vários textos sempre pode levar a pensar que se estará diante de um recital ou um espetáculo na linha de Quadrante, de Paulo Autran, no qual ele intercalava conversa com o público com interpretação de textos. Doido guarda semelhança com essa estética, mas também diferenças. Andreato se apropria de cada texto como se fossem palavras suas, transforma narrativa em linguagem dramática, assume conflitos e pensamentos desses autores, os defende. Mais que isso, escolhe os textos e os une de forma a criar diferentes movimentos e grupos temáticos, o primeiro sobre a arte, o segundo sobre o amor e assim por diante. Há também textos do próprio autor. "Sempre fui um espectador irônico de mim mesmo, mas nunca desanimei de assistir à vida. O destino me deu duas coisas: pouco dinheiro e o dom de sonhar", diz ele, num trecho de sua autoria."Com essa costura de textos, quis refletir sobre atores, mas são questões comuns a todos que escolheram uma profissão e a ela se entregaram intensamente", diz Andreato. Doido estreou no Festival de Teatro de Curitiba numa sala de grandes dimensões, porém ainda assim conseguiu reter a atenção silenciosa do espectador. "Por seu formato, o espetáculo pede espaço mais intimista." Tudo leva a crer que Andreato agora encontra seu espaço e público.

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