Ela toca banjo, piano, teclados, bateria, gaita...

Poucos discos serão tão autorais quanto este CD de k.d.

Entrevista com

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2008 | 00h00

Será que k.d. lang é melhor cantando Hallelujah, de Leonard Cohen, ou Constant Craving, de Roy Orbison, do que cantando seu próprio tema de amor incomensurável, Watershed?Não há dúvida: ela é uma das maiores intérpretes do planeta das canções alheias. Talvez ela e Jeff Buckley sejam das maiores animalidades desse tipo de arte surgidos nos últimos 25 anos.Mas esse lote de novas canções de k.d. não é de se desprezar. Ela é country a maior parte do tempo, mas também pop (Once In a While), jazzy como Cassandra Wilson (em Je Fais la planche e Sunday), country como Johnny Cash em Jealous Dog.k.d. canta, toca teclados, violões, guitarras, programa a bateria, toca gaita, percussão. É uma mulher-banda em cena, tomando para si não só os espaços da canção, mas os alicerces da construção inteira. Em Jealous Dog, a última faixa, ela dispensa os outros músicos e grava sozinha com piano e banjo.''Uma vez liguei a TV e vi a grama verde no quintal/ Não sei por que aquilo me pareceu estranho/ Aquela vida era tão perfeita encantado, mas ela ainda pisa em ovos. ''Uns dizem que o amor é trágico, outros dizem que é um milagre/ Uns se tornam céticos/ Outros se tornam vulneráveis'', canta, em Thread.Ela está no seu direito de se apaixonar e de cantar esse amor. Talvez esse não seja um disco que deixe um legado de um ou dois standards. Mas, afinal, é um disco cheio de sentimento, e a voz de k.d. lang está soando cristalina e elegante. O que não é pouca coisa.Watershed é um lançamento da Warner Music e custa o preço médio de um CD, R$ 30.

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