Eduardo Dussek usa o deboche contra o estresse

Ator e cantor faz público chorar de rir com Dussek de Quinta e Sassaricando

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

Eduardo Dussek diz que não é humorista. Mas anda fazendo muita gente dar gargalhadas até chorar com o show Dussek de Quinta. Em cartaz há dois anos e meio, o espetáculo criado por ele, que mistura alguns de seus sucessos (Rock da Cachorra, Seu Tipo, Aventura, Cabelos Negros, Nostradamus, Doméstica) e tiradas engraçadíssimas, se vende como uma receita "antiestresse" - e cumpre sua promessa.O próprio ator/cantor (e compositor, autor, diretor) bem que poderia estar sofrendo de estresse. Além de Dussek de Quinta, que reestreou no último dia 15, ele é destaque, no mesmo Teatro das Artes, da terceira temporada carioca do premiado Sassaricando - E o Rio Inventou a Marchinha. Não é só. Prepara um CD duplo, que vai chamar-se Dussek, Amor & Humor, e um projeto de programa de rádio na emissora carioca MPB FM. E, como tem sido nos últimos anos, está na final do Concurso de Marchinhas da Fundição Progresso, no Rio.Às quintas, apresenta-se primeiro às 17 horas, no musical. Basta a última marchinha terminar para tirar o figurino e virar o produtor de seu espetáculo. Cuida da troca do cenário, verifica como está a bilheteria, dá ordens aqui e acolá. Só tem dez minutos para se concentrar no texto que dirá a seguir. "Cansaço é uma palavra que não existe para mim, a não ser às 3 da manhã", conta Dussek, que fez 52 anos no início do mês. Ele ainda tem no repertório espetáculos que apresenta sob encomenda em empresas e eventos pelo Brasil - tudo escrito com auxílio de seus colaboradores.O ritmo é mesmo bem pesado (a alimentação é especial e a malhação, regular, para bem aguentar o tranco), mas o clima ajuda. Em Sassaricando, já assistido por mais de 100 mil pessoas, canta e dança com uma trupe com quem se dá muito bem. "Ele é um ator superinteligente e carismático. Tem sacadas muito boas no palco, é macaco velho", elogia Juliana Diniz, que foi assistir o colega na semana passada. "Quando eu tô triste ou mal-humorada, ele me coloca pra cima. É um gentleman, um paizão, um amigo."No palco de Dussek de Quinta, em que se apresenta ao teclado, de smoking da cintura para cima e bermuda de surfista, ele é acompanhado dos três músicos de sua Copacabanda. Juntos, relembram as músicas que fizeram sua fama nos anos 80, e atendem a pedidos do público. Entre uma e outra, Dussek debocha. Os temas são os mais variados: política, crise mundial, sexo..."Eu poderia estar roubando, traficando, trabalhando como operador de telemarketing, mas estou aqui", brinca, logo no início, depois de explicar que o nome do show se deve ao fato de ele ter começado numa churrascaria "de quinta categoria." "Depois dos 45 anos, se você acordar, colocar os dois pés no chão e não sentir dor nenhuma, é porque está morto", continua.Em breve, Dussek segue com os dois espetáculos para São Paulo. Enquanto isso, aproveita para mostrar, no palco, músicas novas do CD que está mixando. Será metade antologia (não há qualquer CD seu de carreira em catálogo), metade de inéditas. "Eu não tenho férias há cinco anos. Não tenho dia de folga, talvez um, de quinze em quinze dias", ele diz, mas sem fazer cara de estressado.

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