E quando vale pegar a estrada?

Uma seleção das principais atrações deste ano, se você estiver disposto a enfrentar a multidão que invade Campos do Jordão

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2008 | 00h00

Como se localizar em meio aos 50 concertos previstos este ano para o Festival de Inverno de Campos do Jordão? Em edições anteriores, os principais destaques concentravam-se nos fins de semana, bastava, portanto, escolher um e arrumar as malas - isso, claro, se você está disposto a enfrentar as multidões que invadem a cidade em julho e tomou a providência de arrumar hospedagem com antecedência. Nesta edição, no entanto, algumas das principais atrações se apresentam no meio da semana. O que fazer, então? Encontrar um equilíbrio entre os concertos mais e menos badalados, estes últimos realizados normalmente pelos alunos e professores, que também reservam boas surpresas. PRIMEIRA SEMANA Além da abertura, amanhã, o primeiro fim de semana do festival tem como destaque, no domingo de manhã, a Sinfônica Municipal de Santos, com regência de Luis Gustavo Petri e trechos da ópera La Traviata, de Verdi, na Praça do Capivari, às 12h30. Em seguida, na Igreja Santa Terezinha, apresenta-se a Camerata Fukuda. Na segunda, é a vez da Sinfônica de Heliópolis com concerto dedicado a Tchaikovsky (regência de Roberto Tibiriçá e solos do violinista Daniel Guedes); na quarta, Os Sete Pecados Capitais, da dupla e Brecht-Weill, com a Sinfônica Brasileira, regência de Minczuk; e, na quinta, o violinista Glenn Dicterow faz recital com o pianista Richard Bishop. SEGUNDA SEMANA Na sexta, dia 11, a atração imperdível é o recital de canções de autores brasileiros com Rosana Lamosa, Fanny Solter e Antonio Meneses, que volta ao palco no sábado para tocar com a Sinfônica Brasileira em programa dedicado a Strauss. Ainda no sábado, a Sinfônica de Santo André, com obras de Beethoven. São várias as opções de música de câmara com professores e alunos do festival. A Sinfônica de Minas Gerais, com Fábio Mechetti, é a atração de terça e, na quarta, chega a Campos o Empire Brass, quinteto norte-americano de metais. TERCEIRA SEMANA A Orquestra Acadêmica, composta por alunos do festival, faz, na sexta-feira, sua primeira apresentação, estreando a obra Capitu, de João Guilherme Ripper, baseada em Machado de Assis, com solos de Fernando Portari e Rosana Lamosa e regência de Ronald Zollman. No sábado, dia agitado, com a Banda Sinfônica, o clarinetista Michael Collins e recital do pianista Nelson Freire. Segunda, terça e quarta chegam, com a Orquestra Jovem das Américas, a Sinfônica da USP e a Experimental de Repertório, respectivamente. Na quinta, um dos pontos altos da programação deste ano - o melodrama Enoch Arden, de Richard Strauss, baseado em texto de Lord Tennyson, com o pianista Jean-Louis Steuermann e narrador. QUARTA SEMANA Na sexta-feira, Sinfônica Municipal de São Paulo, com Sonho de Uma Noite de Verão, que Mendelssohn criou a partir de Shakespeare. Os professores do recém-criado Núcleo de Música Antiga da Universidade Livre de Música apresentam-se na tarde de sábado. À noite, no Auditório, é a vez de Kurt Masur - o lendário regente alemão comanda a Orquestra Acadêmica e o Coro da Osesp na interpretação da Nona Sinfonia de Beethoven e de aberturas de Carlos Gomes, programa que repetem no domingo à tarde na Sala São Paulo.As estrelas JOÃO GUILHERME RIPPER: É o compositor residente deste ano, o que significa que, além de aulas de composição, haverá obras apresentadas ao longo de todo o festival. O destaque é para a estréia de Capitu, baseada em Machado de Assis. ANTONIO MENESES: O violoncelista vive o melhor momento de sua carreira. Acaba de lançar um disco precioso com a obra para violoncelo e piano de Beethoven, com Menahem Pressler. Em Campos, no entanto, toca autores brasileiros e Richard Strauss. NELSON FREIRE: Recitais do pianista mineiro transformaram-se, nos últimos anos, em concorridas celebrações a seu talento. Não deve ser diferente em Campos, onde ele toca Bach, Liszt, Debussy e Chopin, no Auditório Claudio Santoro. KURT MASUR: Com 80 anos recém-completados, o maestro é figura lendária da regência internacional. Vai oferecer masterclasses e comandar a Orquestra Acadêmica, formada por alunos e professores. No programa, a Nona de Beethoven.Amor e Ódio"Se eu pudesse, com palavras, fazer os meus personagensfalarem ao mesmo tempo, chegaria a efeito bem semelhante."VICTOR HUGO, APÓS VER A ÓPERA RIGOLETTO, DE GIUSEPPE VERDI"Se você quer musicar Shakespeare, não deve hesitar em agarrar o touro pelos chifres. Que situações musicais existem em Hamlet, e como eu adoraria ter lutado com elas!"VERDI SOBRE HAMLET"Com Swift e Shakespeare eu aprendi a escrever, mas, de Mozart, eu tirei as minhas idéias."GEORGE BERNARD SHAW, ENSAÍSTA E DRAMATURGO"Aos diabos com a realidade! Quero morrer em música, não na razão ou na prosa. As pessoas não merecem a reserva que mostramos ao não entrar em estado de delírio na frente delas."LOUIS FERDINAND CÉLINE, ESCRITOR"Mozart é a felicidade antes de ela ser definida."ARTHUR MILLER, DRAMATURGO"Escritores têm a tendência de meter o pé pelas mãos sempre que falam de música."LEONARD BERNSTEIN, MAESTRO E COMPOSITOR

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