...e os que marcaram a cena pop em 2008

Madonna, R.E.M., Muse, a consagração do Planeta Terra, as decepções do TIM Festival e a picaretagem da 'volta' do Queen

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

E 2008 valeu a pena? Para quem pagou caro para ver shows como os de Madonna (R$ 600 + R$ 120 de taxa de entrega) e Michael Bublé (R$ 1.000) na fila do gargarejo, parece que sim. Cada um no seu nicho, esses foram dois shows que deram o que falar por conta do preço salgado do ingresso. Inigualável em termos de superprodução, a turnê Sticky & Sweet, de Madonna, encheu dois Maracanãs e três Morumbis totalizando 337 mil espectadores em cinco apresentações. A overdose de exposição da figuraça do pop na mídia nesta volta ao País 15 anos depois teve a dimensão da potência de som e imagem do megashow.Já o canadense Bublé, estreante em terras brasileiras, enlouqueceu o público feminino, que predominou em suas também concorridas apresentações na Via Funchal. A casa, aliás, foi a que mais contou com nomes internacionais de peso na programação. Além dos que repetiram as boas performances de anos anteriores (Madeleine Peyroux, Bajofondo), a Via Funchal lotou para ver atrações diversas como Cyndi Lauper (em performance tão divertida quanto exótica), RBD, Duran Duran e Joss Stone.Um dos shows mais bem-sucedidos do ano, o do R.E.M., também passou por ali. Em grande forma, Michael Stipe teve a platéia a seus pés, cantando hits como The One I Love e Losing my Religion do jeito que o povo queria, ou seja, com arranjos idênticos aos originais. Pouca gente viu, mas no mesmo palco foi sublime a apresentação de Rufus Wainwright e seu piano.Outros dois shows pequenos na produção, mas de resultado arrebatador, foram o do americano Conor Oberst (a voz do Bright Eyes), no sufocante Studio SP, e o do uruguaio Jorge Drexler e seu violão no Bourbon Street. Beck não veio, mas lançou um dos melhores CDs do ano, Modern Guilt. Já o Muse fez um showzaço de proporções de arena dentro de uma casa fechada, aquela conhecida como Tom Brasil. Uma apoteose para 4 mil pessoas em estado de possessão - algo semelhante ao que ocorreu nas apresentações de Cyndi Lauper e do R.E.M.O Planeta Terra, em sua segunda edição, confirmou-se como o melhor festival de música pop em São Paulo, pelos shows de Kaiser Chiefs, Jesus & Mary Chain, Foals, Spoon e Breeders. Teve também Bloc Party, Offspring e Animal Collective, que dividiram opiniões. Vale também lembrar a sensacional apresentação do Justice no Skol Beats e outros bons expoentes da cena indie que desembarcaram na cidade (leia na página 3).Prejudicado pelos cancelamentos de Paul Weller e The National, o TIM Festival registrou a programação pop mais fraca de sua história. Os destaques foram Kanye West, MGMT, Klaxons e Gogol Bordello, que na hora causaram efeito, mas foram logo esquecidos. Em compensação, quem ganhou foi o público de jazz, com uma programação equilibrada e shows em ambiente adequado: o Auditório Ibirapuera. Por ali passaram Sonny Rollins, Stacey Kent, Carla Bley, Speranza Spal-ding, Bill Frisell e Rosa Passos, entre outros, que quem viu não se arrependeu.A "volta" do Queen, com Paul Rodgers no lugar de Freddie Mercury na Via Funchal, foi um dos maiores embustes do ano. O que se tornou mais risível em Rodgers foi parecer levar a sério (e o público também), coisas de efeito kitsch como We Are the Champions e Bohemian Rhapsody, que na interpretação gay-opertística de Mercury eram debochadas. Compete em picaretagem com o CD Chinese Democracy, do que restou do Guns ?N Roses (ou seja, o caído Axl Rose), e o DJ Paul Oakenfold abrindo para Madonna com o mesmo set chato, preguiçoso e velho todas as noites.

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