Duetos e regravações em CD

Clássicos do repertório de Carmen reunidos em álbum duplo

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

O legado de Carmen Miranda é um fenômeno muito interessante, que resiste ao tempo. Além da influência evidente sobre outros intérpretes de várias gerações, a imagem associada à alegria sobrevive na consistência do repertório recheado de clássicos do cancioneiro nacional. Carmen teve a sorte de conviver e a capacidade de valorizar compositores como Dorival Caymmi, Assis Valente, Ary Barroso, Synval Silva, Joubert de Carvalho, João de Barro e Alberto Ribeiro, entre tantos outros do primeiro escalão.Na esteira do centenário de seu nascimento, a Sony/BMG lança um CD duplo, Duetos e Outras Carmens, reunindo num deles antológicos encontros da cantora com Mário Reis, Lamartine Babo, Silvio Caldase Francisco Alves, entre outros, mas falta Caymmi. O segundo é de regravações de clássicos de seu repertório por Caetano Veloso, João Bosco e Daniela Mercury, Maria Bethânia e Chico Buarque, Elba Ramalho, etc. Nem todas boas.A EMI aproveita a ocasião para recolocar nas lojas os quatro CDs da série Ruy Castro Apresenta. Até o fim do ano a gravadora relança a ótima (e esgotada) caixa com cinco CDs, reunindo 129 fonogramas, de 1935 a 1940. O samba Alô, Alô (André Filho) com Mário Reis, e a marchinha Moleque Indigesto (de e com Lamartine) iniciam a divertida e seletiva sessão de duetos raros de Carmen. Não importa que os chiados do tempo não sejam compatíveis com a potência dos atuais sistemas 5.1. Ouvir as gravações originais de Carmen é sempre um prazer de (re)descobertas. Já Outras Carmens abre e fecha com duas faixas inéditas e equivocadas. A primeira é Camisa Listrada (Assis), em interpretação caída da superestimada Elza Soares. A última é uma versão tecno de um pot-pourri que reúne Maria Alcina e o DJ Zé Pedro. Alcina também divide Cozinheira Granfina (Sá Roriz) com Daltony, mas suas melhores gravações do repertório de Carmen (como Alô Alô) estão em seus discos de outra gravadora.O mesmo ocorre com Gal Costa, que aqui aparece em Fon-Fon, de João de Barro e Alberto Ribeiro. Seu registro de Balancê, da mesma dupla, é bem superior. Pelo mesmo motivo, Ney Matogrosso e Eduardo Dussek, fundamentais revitalizadores do universo carmeniano, ficaram fora. As melhores são Cachorro Vira-Lata (A.Ribeiro), com Baby do Brasil, E o Mundo Não se Acabou (Assis), com Adriana Calcanhotto, Eu Dei (Ary), com Marília Barbosa, e O Que É Que a Baiana Tem? (Caymmi), com Rita Lee, que melhor absorvem a essência do original.

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