Dublar um urso era o que faltava a Hoffman

Famoso por ser intransigente, ator diz que, aos 70 anos, se tornou mais flexível

Elaine Guerini, CANNES, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2008 | 00h00

Dustin Hoffman deixou para trás a imagem de astro difícil e intransigente que costumava enlouquecer diretores e colegas de cena. Pouco sobrou daquele ator perfeccionista que David Puttnam, ex-executivo da Columbia Pictures, teria chamado de ''peste'' no set de filmagem de Ishtar (1987). Aos 70 anos, o vencedor do Oscar por Rain Man (1988) e Kramer vs. Kramer (1979) é um sujeito tranqüilo, amável e piadista. ''Se fosse um animal, gostaria de ser um coelho, por ser o que melhor resume a minha visão do sexo'', brinca o ator, ao promover o longa de animação Kung Fu Panda, no qual dubla um urso mestre de artes marciais.Emprestar a voz a um animal de desenho não estava nos planos do ator, que construiu sólida carreira ao dar autenticidade aos personagens. Para melhor representar o manco Ratso, de Perdidos na Noite (1969), ele colocou pedras no sapato, por exemplo. ''Com o passar dos anos, o critério para a escolha dos papéis muda. A Primeira Noite de Um Homem (1967) me colocou numa posição privilegiada, em que só dizia sim se o projeto contasse com diretor de peso, bom roteiro e se meu personagem fosse importante na trama'', conta Hoffman, que hoje diz ouvir o conselho da mulher, a advogada Lisa Gottsegen, com quem está casado desde 1980. ''Há anos ela me encoraja a pensar no filme como uma experiência criativa, sem me preocupar com o tamanho do papel.''Com mais de 45 anos de cinema e mais de 60 títulos na bagagem, o ator sente falta da época em que ''os estúdios queriam fazer bons filmes e não pensavam apenas em arrebentar nas bilheterias''. Não bastasse a mentalidade cada vez mais comercial de Hollywood, Hoffman ainda reclama da ''maldição dos superestimados''. ''Muitos diretores simplesmente assumem que o material não me interessaria. Sobretudo se o orçamento do filme for limitado.''É por isso que o ator começa a flertar com a idéia de dirigir. ''Isso ainda é um demônio na minha vida, com o qual preciso aprender a lidar'', afirma ele, que deveria ter dirigido o policial Liberdade Condicional, em 1978. Antes de iniciar as filmagens, porém, ele passou a responsabilidade para o amigo Ulu Grosbard. ''Mas minha mulher acredita que tudo está escrito, e tudo acontece na hora certa.''

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.