Diversidade cultural unida pela língua portuguesa

Foi o que uniu artistas de cinco países em Nova Olinda, Ceará

Ubiratan Brasil, NOVA OLINDA, CE, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

Tornou-se rotineiro: ao cair da tarde, os moradores da cidade de Nova Olinda, na região do Cariri, no Ceará, começam a escutar os acordes da trilha sonora do filme O Dólar Furado. A maioria, na verdade, desconhece que se trata da música do bangue-bangue com Giuliano Gemma, mas o que ninguém duvida é que a melodia é chamariz para mais uma atração do Teatro Violeta Arraes, da Fundação Casa Grande, principal polo cultural da cidade. Tão importante que, no sábado, encerrou-se ali a primeira Mostra Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa.Desde terça-feira, artistas e pesquisadores de Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde e Portugal discutiram sobre a diversidade cultural de seus países e seu único ponto de intersecção, a língua portuguesa. Mesmo assim, uma vastidão ainda separa uma nação da outra, graças ao desconhecimento sobre as particularidades de cada um. "Confesso que estava cético em vir a essa região, pois o nordeste brasileiro é mais conhecido pela seca", revela o cantor Stewart Sukuma, verdadeiro pop star em Moçambique. "Mas, ao chegar, descobri uma infinidade de hábitos dos nordestinos semelhantes ao do meu país, o que comprova que aqui é uma extensão da África."Sukuma foi um dos catalisadores de um fascinante laço que uniu músicos que pouco se conheciam, como Elizah e Paulo Brandão (Brasil), J. P. Simões (Portugal), Filipe Mukenga (Angola) e Roberto Isaías (Moçambique). "De repente, surgiu uma afinidade musical que fez com que os shows trouxessem a participação de cada um", conta Elizah, gaúcha que lança agora seu terceiro CD. "Em poucos dias, retomamos um contato com a África que ainda representa um desafio para a nossa cultura."De fato, embora de olho no traço musical de cada um, eles foram realmente apresentados em Nova Olinda, mais especificamente na Fundação Casa Grande, pequena joia social que integra crianças e adolescentes a partir da distribuição de responsabilidades, o que transforma uma garota de 12 anos, por exemplo, em apresentadora de um programa de rádio. "É a partir dos erros que eles desenvolvem sua aptidão", comenta o presidente da fundação, Alemberg Quindins.E foram dois grupos surgidos naquele espaço que também representaram o Brasil na mostra: Os Cabinha (assim mesmo, no singular), formado por garotos de 12 anos que imitam o som de instrumentos musicais; e Abanda, trio instrumental integrado por ex-cabinhas e hoje profundos conhecedores musicais. Todos estarão na mostra Cariri, Ser Tão Cultura, que começa quinta-feira no Sesc Ipiranga.

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