Diretor fala do desafio de filmar uma vida no limite

Ele adianta tudo sobre o próximo filme, baseado em livro de repórter do Estado

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

04 de janeiro de 2008 | 00h00

Para Mauro Lima, é uma virada e tanto. O diretor de Tainá 2 não apenas foi contratado pela produtora Mariza Leão para dirigir a adaptação do livro Meu Nome Não É Johnny, de Guilherme Fiúza, sobre João Guilherme Estrella, como assina o roteiro com a própria Mariza. Mauro, de 39 anos, conseguiu transformar um projeto de encomenda num filme autoral. Johnny, afinal, tem muito mais a cara dele, sua pegada, do que Tainá 2, mas ele acha que valeu fazer o filme anterior.Mauro é um cara bem-humorado, característica que compartilha com Selton Mello e o biografado de seu filme, João Guilherme Estrella. Mal havia lido o livro, ele viu uma entrevista em que os dois Guilhermes, o Fiúza e o João Estrella, anunciavam que haviam vendido os direitos para Mariza Leão. Mauro ligou para a produtora e se ofereceu para dirigir. O amigo Selton o ajudou. ''''Ele deu força para que a Mariza me contratasse, dizendo que eu só precisava de uma chance para mostrar do que era capaz.'''' O que o universo de Meu Nome Não É Johnny teve de tão atraente para Mauro Lima? ''''O filme, como o livro, trata de personagens que vivem no limite, impulsivamente, e isso é sempre interessante de transformar em cinema.''''Ele não se furta ao que promete ser a maior polêmica envolvendo Meu Nome Não É Johnny. No ano passado, surgiu Tropa de Elite, em que o diretor José Padilha praticamente coloca a culpa do tráfico na classe média, transformando a vítima em culpado, na medida em que os drogados de seu filme é que movimentam a roda do crime. Meu Nome Não É Johnny não nasceu com essa intenção, até porque o estouro do filme de Padilha é posterior ao projeto de Mariza e Mauro, mas de certa forma Johnny tira esse peso da classe média. Mauro Lima, de qualquer maneira, ressalta que o quadro de seu filme é outro. ''''João traficava para pagar o próprio vício. O tráfico evoluiu muito, está muito mais organizado e violento, e hoje a corrupção da polícia também é muito maior.''''O repórter reclama do letreiro final, que destaca a frase da juíza Marilena Soares. Ela diz que João Guilherme Estrella é a prova de que os indivíduos podem ser recuperados. Mas isso já é tão evidente no relato, não dava para confiar um pouco mais no espectador, deixando que ele chegasse a essa conclusão? ''''Pode ser, eu também não gosto da solução, mas a frase é real e fornece um bom fecho para esta história que, no fundo, fala de regeneração.''''Tainá, Johnny. Qual será o próximo passo da surpreendente trajetória de Mauro Lima? ''''Agora já é oficial. Estou trabalhando na adaptação de Dias de Ira.'''' O livro do jornalista Roldão Arruda, do Estado, poderá representar um desafio maior ainda para Mauro Lima. Conta a história do michê Fortunato Botton Mello, que criou fama como ''''Maníaco do Trianon'''', sendo acusado de diversos assassinatos de homossexuais. ''''Está provado que ele não cometeu todos os crimes que lhe atribuíram, mas é importante contar essa história contextualizando os assassinatos de Fortunato no quadro de uma sociedade homófoba.'''' Novamente, Mauro Lima assinará o roteiro. O assunto é forte. Poderá vir mais polêmica por aí.

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