Karsten Moran/The New York Times
Karsten Moran/The New York Times

Diretor do Metropolitan renuncia sob pressão

'Estou muito orgulhoso das conquistas do Met em minha gestão', disse Thomas Campbell em carta aos funcionários; ele ficará no cargo até junho

Robin Pogrebin, The New York Times

02 Março 2017 | 09h20

Thomas P. Campbell renunciou na terça-feira, 28, sob pressão, às funções de diretor e principal executivo do Museu Metropolitano de Arte de Nova York, o Met. A renúncia seguiu-se a meses de preocupações entre membros da equipe e patrocinadores quanto à saúde financeira do Met e à capacidade de Campbell de administrar o maior museu do país. 

Funcionários do museu informaram que Campbell ficará no cargo até junho, quando se encerra o ano fiscal; nesse período, Daniel H. Weiss, presidente do museu e chefe de operações, atuará interinamente como principal executivo. Weiss trabalhará com Campbell e executivos do museu num plano de transição enquanto o Met procura um novo diretor – um dos cargos mais influentes no mundo da arte. 

“Não estamos empenhados em nomear um novo diretor imediatamente”, disse Daniel Brodsky, presidente do conselho de administração, em carta à diretoria e funcionários. “Vamos dedicar algum tempo a avaliar cuidadosamente que tipo de liderança o museu necessita.”

O Met informou que Campbell, de 54 anos, decidiu espontaneamente deixar o cargo, que ocupava havia oito anos. As circunstâncias em torno da saída, porém, indicam que ele tenha sido forçado. Como o New York Times noticiou em fevereiro, decisões financeiras e planos de expansão de Campbell vinham sendo criticados por patrocinadores, curadores e outros dirigentes do museu. Nos últimos dois anos, apesar dos recordes de público, grande parte da agenda original do museu teve de ser atrasada devido a dificuldades econômicas, incluindo um déficit agudo. 

O fim súbito do mandato de Campbell ocorreu dias depois de membros-chave da direção – incluindo Hamilton E. James, chefe da comissão de finanças do Met – terem insistido em que era hora de ele sair, segundo gente de dentro do museu que pediu anonimato ao revelar conversas confidenciais e decisões internas. 

Foi Hamilton James, presidente e chefe de operações da empresa de investimentos Blackstone Group, quem primeiro fez soar o alarme sobre as condições financeiras do Met após entrar para a diretoria, em 2010, segundo vários relatos. James não atendeu a um pedido de entrevista, terça-feira. 

Em uma carta aos funcionários e patrocinadores, Campbell disse que decidira sair “para entrar numa nova fase” em sua carreira. “Estou muito orgulhoso das conquistas do Met em minha gestão”, afirmou. 

O público está preocupado em saber como uma instituição tão nobre e profissional como o Met veio a se encontrar em emergência financeira. Parte da culpa cai em Campbell, como executivo chefe. O staff digital que ele montou teve de ser enxuto. Seus planos de construir uma ala de US$ 600 milhões destinada a arte moderna e contemporânea, com vistas a comemorar os 150 anos do museu, em 2020, foram adiados indefinidamente. Várias de suas principais contratações foram canceladas. Mas muitos, dentro e fora do Met, também se perguntam sobre a responsabilidade da diretoria nas dificuldades do museu, tendo em vista que apoiou custosas iniciativas de Campbell.

Campbell passou 15 anos no museu como especialista em tapeçaria antes de se tornar diretor, em janeiro de 2009. Sob ele, o Met também experimentou grande sucesso popular e de crítica, vendo seu público aumentar para cerca de 7 milhões de visitantes por ano. E, principalmente, o Met teve várias mostras aclamadas, como, no ano passado, a exposição Pérgamo e os Reinos Helenísticos do Mundo Antigo. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

 

 

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