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Planalto atrás do plano B?Muito discretamente, alguns assessores no Planalto começaram a mobilizar-se para organizar uma pesquisa para 2010... sem o nome de Dilma Rousseff. A história vazou porque Jaques Wagner ficou chateado - na verdade, mais que isso - ao saber que seu nome não estava entre as alternativas. Apenas os de Fernando Haddad, Antonio Palocci e Patrus Ananias. O governador bateu o pé... e entrou na lista.Marketing diretoA esquerda do PT lançou, no seu jornal Página13, sugestão de slogan para 2010: "Dilma é a cara".Sem bengalaMichel Temer e José Sarney tiraram em silêncio da agenda do Congresso, há dias, a PEC da Bengala - que estica de 70 para 75 anos o limite de aposentadoria de ministros de tribunais. Um pedido insistente de associações de juízes e magistrados de todo o País.Sem bengala 2Com a medida, o ministro Eros Grau tem mesmo de sair do STF em agosto de 2010, quando chega aos 70. Podem refazer seus cronogramas os candidatos à vaga no momento - já que Ellen Gracie não saiu... -, César Asfor Rocha, do STJ, e Antonio Dias Toffoli, da AGU.Cultura que vale Menina dos olhos de Juca Ferreira, o projeto "Vale Cultura" - com direito a cartão magnético e abatimento fiscal - chegou ontem à mesa de Dilma Rousseff. Tem a bênção de Lula e dos empresários. E os sindicalistas vão pedir o benefício em futuros dissídios.AguardadoJosé Serra recebeu convite para "estrelar" a Parada Gay do dia 14. Ficou de procurar espaço na agenda. Serra só prestigiou o evento uma única vez, quando era prefeito, em 2005.Pequeno, o detalheFoi deportada ontem, no aeroporto de Cumbica, a cineasta australiana Inka Stafrace, desfalcando o festival Imagens do Oriente. A moça esqueceu de tirar o visto brasileiro.Existencialistas Fernanda Montenegro dedicou a apresentação de Viver sem Tempos Mortos, anteontem, a Sergio Britto. O ator, que inicialmente viveria Jean Paul Sartre ao lado da atriz , estava na fila do gargarejo.IntercâmbioHector Babenco fez parada estratégica em Paris. Para conversar com o roteirista Jean-Claude Carrière sobre seu próximo filme.Ela é nossaA Bertrand Brasil comprou os direitos do best-seller Wings, da escritora americana Aprilynne Pike.Pegou geralWagner Moura não vai apenas reviver o Capitão Nascimento, em Tropa de Elite 2. Virou um dos produtores sócios do filme.BrothersA TV Globo Internacional e a Time Warner Cable fecharam acordo de distribuição. Parceria será anunciada dia 3, em Nova York. A vida sem Dona Ruth, por FHCAo falar pela primeira vez sobre a morte de Ruth Cardoso e da vida sem ela, FHC conseguiu, como sempre, ver o outro lado da história: "Me consola o modo como a Ruth morreu. Estava conversando com o Paulo Henrique (filho mais velho do casal), disse "ai" e caiu. Mas isso é uma bênção", revelou a Guilherme Malzoni Rabelo, que lança, dia 4, na Livraria Cultura, nova edição da sua revista Dicta & Contradicta, com direito a palestra de Eduardo Giannetti da Fonseca.Depois de falarem um bom tempo sobre filosofia e assuntos altamente acadêmicos, a conversa resvalou para o diálogo Fédon, de Platão, e a idéia da morte. Foi FHC quem puxou o assunto: "Há sempre uma certa angústia, não é? Passei recentemente por um momento difícil, que foi a morte de Ruth..."Segundo seu relato, ambos sabiam que ela tinha um problema de saúde e não aceitavam o problema. "Mesmo sabendo de tudo, custamos a introjetar a possibilidade do fim. (...) Você sabe que é finito e, no entanto, vive como se fosse eterno. (...)" Sobre si mesmo: "Eu, que vou fazer 78, posso dizer: ?Olha, ser eterno deve ser uma chatice!? Mas começo a sentir um temor de andar sozinho que nunca tive antes."Falaram também de religião, quando FHC lembrou seus tempos de católico. Disse que ficava "muito nervoso" porque sua irmã não rezava o suficiente. E trouxe à conversa crucifixo que lhe foi dado por dom Eugênio Salles: "Olha, este crucifixo foi abençoado pelo Santo Padre. Você não precisa rezar, nem guardá-lo". O crucifixo está na cabeceira da cama até hoje. "Por respeito? Certamente, mas não só. Sabe Deus...""Não enxergamos essas pessoas"A parceria entre Claudia Matarazzo e Mara Gabrilli resultou no livro Vai Encarar? - A Nação (Quase) Invisível de Pessoas com Deficiência, que será lançado terça-feira na Livraria Cultura. Em tom descontraído, as duas falaram à coluna sobre o trabalho, um olhar da sociedade civil para esse universo que, segundo o IBGE, chega a 30 milhões de brasileiros. Qual o propósito do livro? Cláudia: A proposta foi da Mara. A ideia inicial era fazer um manual sobre como lidar com as pessoas com deficiência. À medida em que fui pesquisando, descobri como é importante que as pessoas enxerguem a diversidade dessa adversidade da mesma maneira que eu. Por que, no título do livro, a "nação quase invisível"? C: Porque não enxergamos essas pessoas. O Estado brasileiro trata mal os deficientes? Mara: Está aprendendo como tratar. Depois da exclusão, que é histórica, tivemos o assistencialismo. Vivemos em um país muito compensatório: como o Estado não dá, então compensa. mas há uma grande mudança: o Estado começa a ter um olhar tanto da igualdade quanto da diferença. C: Mesmo na questão da nomenclatura se vê a mudança. Você tem na lei termos como inválidos, defeituosos. Depois veio o politicamente correto, "pessoas excepcionais" - também não é exatamente isso. A Mara me explicou o que é pessoa com deficiência.As pessoas são tratadas de modo muito diferente? M: Eu percebo um constrangimento. As pessoas me estendem a mão e, quando eu conto que não mexo os braços, às vezes sentem um mal-estar. Eu brinco, dizendo que só dou beijinho...Mara, o que você fez quando sofreu o acidente, para não sucumbir? M: Eu nunca senti depressão. Passei muito tempo entre a vida e a morte. E quando saí do respirador já me sentia vitoriosa. Como é o lazer das pessoas com deficiência? M: É difícil não existir, hoje, um cinema que não seja acessível, embora não sejam perfeitos. Avançamos muito, mas há muito a se fazer. Por exemplo, a adaptação do desenho universal. Não é porque é adaptado que tem que ser feio.E a moda? Quais são as adaptações nas roupas, por exemplo? C: Conversei com as pessoas mostrando que é um mercado enorme. Já há projetos em andamento. M: Eu por exemplo, não uso calça porque me dá trabalho. O blazer, às vezes, dá tanto trabalho colocar e tirar, se tivesse um zíper atrás facilitaria. Ou uma calcinha que abrisse pelos lados. São adaptações que fazem a diferença.E como está a questão da educação para as pessoas com deficiência? M: De 400 mil que estão no ensino médio, só 1.800 chegam à faculdade. Não são todas as escolas que têm acessibilidade.A lei de cotas para deficientes é necessária? M: Sim. Porque poucos entram no ensino superior. A cota obriga a dar oportunidade a essas pessoas.Direto da fonteColaboraçãoDoris Bicudo doris.bicudo@grupoestado.com.brGabriel Manzano Filho gabriel.manzanofilho@grupoestado.com.brPedro Venceslau pedro.venceslau@grupoestado.com.brMarília Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.brProduçãoElaine Friedenreich

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