Diário resgata a obra do artista Ivan Serpa

Mostra apresenta em São Paulo conjunto raro de 54 desenhos que o carioca criou entre 1961 e 1962

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 11h32

Os 54 desenhos que Ivan Serpa (1923-1973) realizou entre 29 de dezembro de 1961 e 30 de março de 1962 formam, na Galeria Marcelo Guarnieri, em São Paulo, um diário de artista. “É um exercício de liberdade dele”, diz o galerista sobre as obras, exibidas agora na integralidade de seu conjunto original, espécie de caderno de folhas soltas do pintor.

Na verdade, revela-se da leveza desses trabalhos criados com guache e nanquim sobre papel uma passagem histórica na trajetória de Ivan Serpa, a transição “injustamente pouco conhecida”, escreve o professor Agnaldo Farias, que o carioca promovia em direção à sua conhecida “fase negra” (1964-1965). Série de caráter político, desenvolvida na época do Golpe de 64, refere-se a pinturas escuras com grandes figuras terríveis, atormentadas, famintas.

 

Sendo assim, é interessante ver nos desenhos da mostra Ivan Serpa – Diário Visual, inaugurada hoje no espaço paulistano da galeria que tem sua sede em Ribeirão Preto, desde 1985, a aparição esporádica da figuração em criações nas quais grafismo e abstração são tratados pelo artista com uma mão natural.

Morto precocemente, poucos dias depois de completar 50 anos, em decorrência de um derrame cerebral, Serpa não foi apenas um dos fundadores do Grupo Frente, no Rio, um marco do concretismo brasileiro. Foi o mestre de criadores de gerações distintas, como Hélio Oiticica e Waltercio Caldas.

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Segundo Marcelo Guarnieri, existem outros diários do artista. “Era uma prática dele fazer esses conjuntos”, afirma o marchand, completando que os trabalhos não eram tratados por Serpa como croquis – tanto que cada desenho tem também sua autonomia. Ele destaca ainda a experimentação do pintor nessas obras, como o uso de tocos de madeira e palitos na criação de suas composições.

Na galeria, os desenhos, originalmente numerados, seguem uma linha cronológica nas paredes, maneira de a mostra traduzir fielmente o ritmo da realização do diário (por vezes, o artista fazia duas ou quatro obras por dia, por outras, apenas um trabalho). Prevalece o grafismo – algumas passagens lembram até mesmo uma raiz caligráfica, oriental. E a cor é rara.

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