Dia do santo é feriado em Aracaju

Dito popular afirma que ?se Deus é brasileiro, São João é sergipano?

, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Há um ditado em Sergipe que diz: "Se Deus é brasileiro, São João é sergipano." Quem visita o menor Estado do País concorda de imediato com a sabedoria popular. Os moradores parecem aguardar o ano inteiro pelos festejos juninos. Carnaval, Páscoa e Natal não passam de eventos secundários diante da festa em homenagem ao santo mais badalado do Nordeste.Junho nem bem começa e as ruas já ficam cheias de bandeirinhas coloridas. Os moradores enchem calçadas, praças, jardins e quintais das casas com fogueiras de diversos tamanhos e reúnem a vizinhança para compartilhar comidas típicas, conversas e bailados. A organização é tamanha que se tornou comum nos bairros de Aracaju os amigos fazerem "vaquinhas" para contratar trios de forró. São esses grupos que vão animar as noites das comunidades. O 24 de junho, dia oficial do santo, foi declarado feriado estadual. Algumas ruas da capital chegam a ficar intransitáveis por causa da fumaça e das fogueiras que os moradores acendem para celebrar o dia mais esperado do ano. A ansiedade é tanta que na primeira semana de maio já ocorre o Forrozão, evento que reúne as principais bandas de forró do Brasil. A festa - que segue noite adentro - marca o início da contagem regressiva para as comemorações juninas de Sergipe.O marco dessas festividades se chama Forró Caju, evento criado há 16 anos. Os visitantes vêm de todos os cantos do Brasil (e até de outros países) para dançar forró, participar de quadrilhas e assistir a manifestações típicas de Sergipe, como o barco de fogo, a guerra de espadas e os bacamarteiros. Durante os 16 dias do Forró Caju, a cidade respira São João - cerca de 150 mil pessoas participam da festa diariamente. O comércio enche as vitrines de produtos e enfeites para os festejos, as escolas organizam quadrilhas e as casas ficam coloridas com bandeirolas. Tudo parece ser movido pela energia, pela alegria e pela agitação do Forró Caju.Neste ano, o evento ocorre entre os dias 13 e 28 de junho e tem confirmadas as presenças de grupos como Aviões do Forró e Banda Calypso. Os organizadores pretendem contar, ainda, com apresentações clássicas de Alceu Valença, Zé Ramalho e Elba Ramalho.Bem perto da Praça de Eventos Hilton Lopes, no centro histórico, construída para o Forró Caju, está o Arraiá do Povo, bastante movimentado pelo vaivém de sergipanos. Turistas brasileiros e estrangeiros também se encontram por ali, para aproveitar os megashows comandados por bandas locais e nacionais.O espaço lembra uma cidadezinha de interior, com fachadas de igrejinhas, casas coloridas e botequins. Diferentemente do Forró Caju, o Arraiá do Povo dura um mês e costuma contar com até 100 mil pessoas por dia na Orla de Atalaia - um dos pontos turísticos mais apreciados do Nordeste.FESTA DO INTERIORMas a folia não se limita à capital de Sergipe. Algumas cidades do interior recebem festas tão tradicionais e movimentadas quanto o Forró Caju e o Arraiá do Povo. Areia Branca, Estância, Capela e Itaporanga são alguns dos municípios que enchem Sergipe de arrasta-pé e organizam eventos disputados principalmente pelos que curtem lugares menores, com infraestrutura mais simples. Para mostrar que esses vários festejos não dividem as comemorações, mas se somam formando uma gigante celebração, alguns canais de televisão locais organizam o São João da Gente. Durante toda a noite de São João, equipes de reportagem rodam Sergipe registrando os inúmeros arraiais - para ninguém ficar de fora da festa, mesmo estando em casa. A série de flashes das festas juninas já virou um costume local e reforça a ideia de que, por lá, São João não é apenas um santo, mas sim um verdadeiro cidadão sergipano. Forró Caju: de 13 a 28 de junho, a partir das 19h, na Praça de Eventos Hilton Lopes, no Centro Histórico, com entrada gratuita. Site: www.aracaju.se.gov.br/forrocajuSão João da Gente: Site: emsergipe.globo.com/saojoao TRADIÇÕES Barco de Fogo Barco de madeira elevado a uma altura de 4 metros. Ele desliza em um arame por cerca de 300 metros, impulsionado por dois propulsores de pólvora. No percurso, solta fogos de artifício Guerra de Espada Grupos rivais simulam duelos de espadas, que, na verdade, são rojões que se acendem, soltam faíscas e criam um show curioso de luzes e coresBacamarteirosPelotão de homens armados com bacamartes - rifles artesanais. Saem pelas ruas na noite de São João dando tiros ao chão enquanto andam atrás de um grupo de mulheres que canta músicas folclóricas

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