Dez horas com Giane, Entre Lençóis

Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira vivem intensa paixão no filme do colombiano Gustavo Nieto Roa, que estréia em janeiro

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2008 | 00h00

Uma linda mulher e um homem de tirar o fôlego estão numa boate. Eles não se conhecem. Trocam olhares, se insinuam, dançam juntos, até que se beijam. A noite vai terminar num quarto de motel, onde, aí sim, eles vão se apresentar um ao outro e... se apaixonar de verdade. A mulher é Paola Oliveira (Paula), o homem é Reynaldo Gianecchini (Roberto) e a história é contada no filme Entre Lençóis, do colombiano Gustavo Nieto Roa, que os dois atores globais acabaram de gravar na quarta-feira da semana passada, no Rio. A última cena filmada, na boate Nuth, na Barra da Tijuca, é justamente a abertura do longa. Paula, de casamento marcado para o dia seguinte, e Roberto, cujo relacionamento está ruindo, estabelecem uma conexão imediata. Para o diretor, trata-se de um caso de amor à primeira vista. "Todo mundo vive isso em algum momento: conhecer uma pessoa e querer transar imediatamente com ela", acredita Roa. "Inicialmente, a idéia era fazer um filme com histórias de dez casais que passaram pelo mesmo quarto de motel. Mas seria uma grande produção e resolvi focar num só casal." Rodado em quatro semanas, tendo apenas a dupla no elenco, o filme foi orçado em R$ 950 mil. Deverá entrar em cartaz em janeiro de 2009. Giane foi escolhido por já ter trabalhado com Roa em Sexo Com Amor?, co-produzido por ele. Estreante no cinema, Paola entrou depois de passar por teste. "Eu queria dois atores muito bons, nacionalmente conhecidos e que fossem lindos", conta Roa. Acertou em cheio: Paola está deslumbrante como Paula e Giane... Giane é tudo que uma mulher gostaria de encontrar numa pista de dança. "Li o roteiro e percebi que eu conhecia esse cara. Estava no avião e, assim que saí, telefonei para dizer: vou fazer", lembra o ator. "É um filme sobre a possibilidade de ser inteiro, de se jogar numa relação, descobrir alguém. É uma transa, não há compromisso de aprofundar nada." Paola (que já havia contracenado com o colega na novela Belíssima) conta que não se constrangeu nas cenas de nu, que tiveram como cenário o motel Vip?s, em São Conrado. "Cabia tanto no texto! Deixei de lado o pudor." Ela enxerga Entre Lençóis como um "filme sobre relacionamento". "Eles vão para essa noite cada um com sua história, e se permitem passar por isso." A atriz teve de se dividir entre as filmagens e Ciranda de Pedra - detalhe: como no longa sua personagem tem cabelos compridos e na novela, não, ela teve de colocar e retirar o megahair toda semana.Entre a cama e a mesa de jantar, a sauna, a banheira e a varanda (de onde se tem uma vista inacreditável do Rio), Paula e Roberto trocam confidências, falam sobre amor, desejo e morte, brigam, fazem as pazes. "A vida deles é condensada em dez horas. Mas a realidade do lado de fora é muito forte, um obstáculo para o futuro", diz Roa, que já filmou a mesma história em espanhol (a estréia será em abril, na Colômbia), e quer fazer uma versão em inglês.Ele acha que seu filme e Na Cama, longa chileno de 2005, não são tão parecidos assim - apesar de os dois tratarem da história de dois estranhos que dividem lençóis até o amanhecer (a diferença é que o casal de Na Cama se conhece num café, e não numa boate). "São pontos de vista diferentes."O diretor pisou no Brasil pela primeira vez nos idos de 1965, como fotógrafo, para registrar a nova capital federal. Trabalhou como documentarista para a ONU, fez cinema nos EUA e na América Latina, morou na Europa. Agora, não quer mais sair daqui. "No Brasil, encontro Nova York, Paris, Índia, Colômbia. Foi amor à primeira vista, como no filme!"

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