Dez bons motivos para mudar o roteiro

Cidadezinhas encantam com bom clima, casarios, museus e cânions

O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2008 | 00h00

Deixe os clichês e preconceitos de lado quando pensar nas cidadezinhas do interior nordestino: cactos e sol de rachar não são as únicas atrações desses locais. Gravatá, por exemplo, é um município pernambucano a 85 quilômetros do Recife que ostenta o título de quinto melhor microclima do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, e leva o apelido de Suíça brasileira do Nordeste. Da mesma forma, inúmeros outros destinos merecem maior atenção.A graça de Gravatá não se restringe ao clima agradável, com temperatura média anual de 22 graus. A cidade é ainda o maior pólo nordestino no cultivo de flores, o que acrescentou à paisagem local espécies como bromélias, rosas, orquídeas e crisântemos. Para quem gosta de uma boa caminhada em meio à natureza, a Trilha dos Túneis, partindo da Fazenda Canaã, é a mais fascinante: atravessa 14 túneis e 16 pontes. Outra boa opção é o turismo eqüestre: há 120 haras no município.Se a imagem que se tem do Nordeste é a de seca o ano inteiro, a cidade de Paulo Afonso (BA) derruba sozinha a impressão. O que não falta é água por lá. Da cachoeira que leva o nome do município às cinco hidrelétricas. A Baixa do Chico é um ponto obrigatório na cidade. Nele , vê-se um deserto de 12 quilômetros de extensão em terras que séculos atrás estavam debaixo de um rio que não existe mais. A natureza esculpiu com o vento formações de areia (fina e avermelhada) que se parecem com castelos, peças de xadrez e totens indígenas.Em meio ao deserto, areia, sol e uma miragem: o Lajedo do Pai Mateus, em Cabaceiras (PB), a 189 km de João Pessoa. Rochas gigantescas de até 45 toneladas formam uma paisagem deslumbrante. A região sertaneja, um dia habitada por índios da tribo cariri, herdou o nome dos aborígines e virou o Cariri Paraibano. Além de bonita, é histórica, com seus paredões com inscrições rupestres.CENÁRIOSe a natureza foi generosa com Cabaceiras, soube também afastar os curiosos e parte da população com o menor índice pluviométrico nacional - menos de 300 milímetros por ano. Um bom observador vai notar que alguns pontos da cidade serviram de cenário para a versão cinematográfica mais recente de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.No livro de Suassuna, um cangaceiro invade a cidade fictícia e acaba assassinado. Em Piranhas (AL), em 1938, o rei do cangaço, Virgulino Ferreira Lampião, e sua mulher, Maria Bonita, tiveram suas cabeças expostas em praça pública após serem mortos em Xingó, no município de Canindé de São Francisco, já do lado de Sergipe. O Museu do Cangaço conta essa história e traz imagens e objetos originais do bando. Rende ou não boas fotos?Imagens eternas também podem ser vistas nos passeios de barco pelo Rio São Francisco, tendo ao fundo as casinhas antigas de Piranhas. Como costumam ser as "aventuras" pelo sertão, é tudo cansativo, com muitas escadas e caminhadas, mas a beleza e o aspecto rústico local minimizam o desconforto.Canindé de São Francisco não tem apenas referências a Lampião e Maria Bonita. Após a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, que afundou os antigos acampamentos dos cangaceiros, foi criado um imenso reservatório, com 65 km de extensão de água calma, onde é possível andar de catamarãs e lanchas entre os cânions.Voltando ao território alagoano e se mantendo fiel ao turismo histórico, bom lugar é Penedo, às margens do Rio São Francisco e a 157 km de Maceió. Com a invasão da região pelos holandeses, no século 17, escravos fugiram e se estabeleceram em uma imensa área nos Estados de Alagoas e Pernambuco. Foi fundado assim o Quilombo dos Palmares, marco do movimento negro. O centro do município, com suas igrejas e fortes, está cheio de referências ao período colonial, imperial e republicano. O melhor passeio é feito a pé, visitando o casario, monumentos e museus de Penedo.Em Arcoverde (PE), andar pelas ruas já vale a viagem. Pode-se conhecer, por exemplo, o Cinema Rio Branco, o mais antigo do País em funcionamento - de 1917. A cidade é ainda um dos berços da literatura de cordel. Também em Pernambuco, Caruaru mostra com orgulho, no Museu do Forró Luiz Gonzaga, discos, fotografias e a sanfona em que o Rei do Baião tocou pela última vez.TREM E FORRÓ Programa imperdível acontece no mês de junho em Campina Grande (PB): um trem leva os turistas para o sítio arqueológico do Ingá, num percurso de 35 km. Na viagem, os passageiros apreciam o autêntico forró. A cultura também é o ponto alto de Bezerros (PE). Bandas de pífanos e bacamartes fazem parte do cotidiano local, que pula de uma manifestação folclórica para outra o ano todo.Gravatá: www.prefeituradegravata.com.brPaulo Afonso: www.pauloafonso.ba.gov.brCabaceira: www.cabaceiras.paraiba.com.br/fotos.htmPiranhas: www.valedosaofrancisco.com.br/Turismo/Cidades-AL-Piranhas.aspCanindé: www.setur.se.gov.br; Penedo: www.penedo.al.gov.br; Arcoverde: www.arcoverde.pe.gov.brCaruaru: www.caruaru.pe.gov.br Campina Grande: portal.pmcg.pb.gov.brBezerros: www.bezerros.pe.gov.br/v2/turismo.php

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