Devolvendo às crianças o direito de sonhar

SENTIDO : Durante visita à sede do Instituto Baccarelli, do qual faz parte a Sinfônica de Heliópolis, em São Paulo, ouvi de um dos diretores que o objetivo de seu projeto não era necessariamente formar músicos. "Ensinamos a eles o violino para que um dia possam ser médicos", brincou. Há uma realidade comum aos meninos e meninas de Heliópolis e das favelas cariocas. Não se trata apenas do cotidiano de violência mas da ausência de condições mínimas de saúde, educação e moradia. São questões graves, lidam com aspectos essenciais da vida humana. E esperar que a arte possa suprir essas necessidades seria ingênuo. Obviamente, há um aspecto prático, digamos assim, em projetos como esse. A música, por meio do aprendizado de um instrumento, pode se transformar em possibilidade profissional, em meio de subsistência. Mas caminhando pelas salas de aula em Heliópolis ou assistindo ao documentário Contratempo, a arte parece ganhar significado ainda maior. De alguma forma, tocar em uma orquestra, aprender a fazer música, devolve às crianças o direito e a capacidade de sonhar. Seria ingênuo acreditar que, mesmo na mais adversa das situações, é o sonho o motor da transformação?

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