Designer converte músicos do País em ícones pictográficos

Daniel Motta se inspira em nomes como Rita Lee para fazer Poptogramas Brasilis

Marco Bezzi, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2008 | 00h00

Foi pensando numa criativa relação entre som e arte gráfica que o designer Daniel Motta teve a idéia de realizar um livro que trouxesse os artistas mais conhecidos da música pop para um formato pouco explorado: os pictogramas (símbolos universais como as plaquinhas que indicam feminino e masculino nos banheiros).Em 2005, Motta lançou sua versão internacional para artistas como Michael Jackson e Ozzy Osbourne e os batizou de - elementar - Poptogramas. O livro esgotou sua tiragem de 2.500 exemplares. Os músicos daqui pediram e Motta passou a pensar em nomes nacionais que caberiam no seu universo. Após seis meses de riscos e rabiscos, o livro Poptogramas Brasilis (Ed. Altamira, 228 págs., R$ 40) chega às lojas trazendo 101 criações de Daniel Motta para ídolos como Rita Lee, Planet Hemp, Raul Seixas e Zeca Baleiro. "Pensei em nomes fortes, que poderiam ser explorados de maneira inusitada e divertida", comenta o autor que tem 28 anos. Segundo ele, o embrião da série Poptogramas surgiu quando ele se deparou com o Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas, de Everton Ballardin e Marcelo Zocchio, livro que reproduz com imagens literais expressões populares como ?enfiando o pé na jaca? (foto de um pé entrando em uma jaca) e ?quebrando o pau? (foto de um homem quebrando um pedaço de madeira). Durante sua pesquisa, Motta trombou com dois nomes polêmicos. O designer pensou em retratar o cantor Belo atrás das grades. "A editora achou melhor não mexer com esse tema, amparada numa lei de nome ?direito do esquecimento?", informa o autor Roberto Carlos foi outro que teve de ser repensado. Quando revelado na revista Playboy - onde trabalha - como um bonequinho adicionado a uma perna de pau, leitores indignados voltaram-se contra Daniel Motta. Mesmo assim, tais pictogramas serão anexados ao site www.poptogramas.com.br. É no endereço também que a partir de segunda-feira será possível adquirir o livro em sua caixa especial: um pequeno toca-discos.Se, na capa da obra, o autor representa o símbolo do heavy metal, nas suas mais de 200 páginas, o gênero é pouco explorado. "Usei a mãozinha de metal mais como uma forma de mostrar atitude e escracho. Como, por exemplo, mostrar o Arnaldo Baptista vestido numa camisa-de-força em uma das páginas do livro."Inspirado nos estudos de pictografia moderna do tipógrafo suíço Adrian Frutiger, criador do visual do aeroporto Charles de Gaulle, de Paris, é a cantora Pitty que dá a dica, em seu prefácio, de como utilizar o exemplar: "Vale contemplar as imagens, pendurá-las na parede , sinalizar ambientes, vale até tatuar."

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