Desejo e Reparação equilibra o grandioso com o particular

Adaptações de romances para o cinema oferecem um risco para os realizadores, especialmente se a obra já foi aclamada em livro - a versão na tela grande não pode ser totalmente fiel ao original, pois são meios distintos de comunicação. O espírito, no entanto, deve persistir. Foi o que pretenderam os produtores de Desejo e Reparação, inspirado na obra de Ian McEwan, chamada apenas Reparação. O filme é o destaque do Telecine Premium, às 18h05.Trata-se da história dramática de um jovem casal que acaba separado por uma mentira e que acaba levando o rapaz para a prisão. Anos depois, mesmo com a 2ª Guerra Mundial e com a distância, eles continuam alimentando o amor. O cineasta Joe Wright provocou espanto ao anunciar, no Festival de Veneza de 2007, que não tinha lido o livro de McEwan quando foi convidado para dirigir seu longa de estreia.Ao longo da produção, ele leu inúmeras vezes a obra, fazendo novas descobertas a cada leitura. O resultado, de fato, é um equilíbrio entre o grandioso (as cenas de guerra são espetaculares) e o particular, representado por uma relação que não se consagra, ainda que alimentada pelo mais vivo amor. Um filme, enfim, delicado.

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