Denise de Freitas triunfa em sua primeira Dalila

Meio-soprano foi destaque em montagem no Municipal

LAURO MACHADO COELHO, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

Aos pontos positivos da montagem do Sansão e Dalila em cartaz no Teatro Municipal - o desempenho de Leonardo Neiva, a participação do coro, a regência elegante de Jamil Maluf, a boa direção de atores de André Heller - veio juntar-se a interpretação de Denise de Freitas como Dalila.Na récita de quarta-feira, que ela cantou ao lado de Richard Berkeley-Steele, a beleza do timbre, a segurança com que usa toda a extensão do registro, com graves cálidos, mas também alçando-se naturalmente à extremidade aguda, sem precisar gritar, e com uma região média nítida, com pontos de passagem em que a voz não se descolore, Denise fez, finalmente, viver em cena a figura da sedutora, tal como a imaginou Saint-Saëns. E não se tratou apenas de um bom desempenho vocal, que resultou em bem acabadas interpretações de momentos isolados, como "Printemps qui commence" ou, sobretudo, o cavalo de batalha que é "Mon coeur s?ouvre à ta voix", a que a cantora conferiu toda a sensualidade que a ária exige. Denise de Freitas é uma consumada cantora-atriz, como já tinha demonstrado, meses atrás, na sua memorável interpretação do Compositor, na Ariadne auf Naxos, de Richard Strauss. Sua presença no palco é marcante. É com absoluta naturalidade que ela domina o tipo de gesticulação estilizada sugerida pela direção. E nesse sentido, o grande momento do espetáculo, na quarta-feira, foi sem dúvida alguma o dueto do segundo ato, com o Sumo-sacerdote, em que foi magnífica a forma como Leonardo Neiva e ela interagiram vocal e cenicamente.E já que é da Bíblia que estamos falando, o que a escalação de elenco dessa ópera nos traz à lembrança é o episódio das bodas de Canaã, em que os convidados, depois do milagre, perguntavam ao dono da casa: "Por que deixar o vinho melhor para depois?"Na terceira récita, o tule branco, que antes recobria a boca de cena durante toda a primeira cena, foi erguido logo no início da seqüência; e a discutível projeção de um mar revolto, sobre a seção final do dueto Dalila-Sansão, no segundo ato, tinha sido suprimida. Ambas as mudanças foram benéficas para o espetáculo, por torná-lo mais claro e direto; e, no caso do dueto, por permitir que a atenção se concentrasse no desempenho da intérprete.

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