''Demos certo porque aqui tudo é aberto''

O diretor-geral Paulo Pederneiras explica como a companhia aplica o seu dinheiro

Helena Katz, O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2009 | 00h00

Além de conceber cenário e luz para as produções do Grupo Corpo, Paulo Pederneiras é também seu diretor-geral. Aqui, ele fala sobre os números da companhia.Como funciona o Grupo Corpo?Gosto muito de falar sobre isso porque lidamos com dinheiro público. O que vem da Petrobrás hoje, via Lei Rouanet, depois do corte que sofremos, chega a 55% do que o Corpo custa. O complemento vem de bilheterias e dos cachês das nossas turnês. Acredito que o Grupo Corpo só deu certo porque aqui tudo é aberto. Quem quiser conhecer a nossa forma de usar o dinheiro, encontra tudo nos nossos computadores. O jeito limpo de a companhia dançar está também na ética que praticamos. Para nós, as duas coisas têm igual importância. Lembro que quando Henrique Neves se tornou vice-presidente da Shell, há muito tempo atrás, enviou funcionários que ficaram por uma semana conosco, consultando nossos computadores. O relatório que eles produziram foi tão elogioso que nos deixou orgulhosos da nossa forma de administrar. Foi um pouco depois dessa época que Rodrigo e eu começamos a ser convidados a dar palestras sobre o nosso funcionamento como empresa.Você pode contar quanto ganha um bailarino do Corpo?Aqui, o salário começa em R$ 3.800 e vai aumentando de acordo com o tempo de trabalho. Primeiro, mais 20% e, depois, mais 30%. Não temos primeiro-bailarino, mas quem assiste à companhia vê o tanto de primeiros bailarinos que temos. E todos têm plano de saúde. Quero tudo do melhor para eles. Abriu um restaurante aqui em frente. Lembrei que a maioria dos nossos bailarinos chega em casa, depois de ensaiar pesado todos os dias, e precisa fazer a própria comida. Então, fizemos um acordo e, agora, todos os bailarinos podem almoçar lá. Na nossa próxima sede, pretendemos ter uma cozinha que prepare alimentação balanceada para eles, porque, para nós, isso já é o início do ensaio.Por que o ingresso não é mais barato, se vocês contam com o financiamento da Petrobrás?No palco, dançando, o público vê somente 20 mas, na verdade, somos mais de 60 profissionais oficialmente registrados e todos sabem quanto isso custa no nosso país. Assim, o preço do nosso ingresso, caso não contássemos com a subvenção, precisaria ser R$ 150 ou R$ 200. Porque vale explicar que mesmo com a casa lotada, isso não significa que vai sobrar dinheiro. Geralmente, depois de duas semanas do Teatro Alfa, onde poucas apresentações nossas não esgotam, voltamos para casa sem nenhum tostão. Porque precisamos pagar hotel, diárias e passagem aérea para 30 pessoas, mais 30% para o teatro e despesas cobradas pelos ingressos comprados com cartão de crédito, e a publicidade. Talvez tenhamos sido a primeira companhia de dança brasileira a fazer anúncio de página inteira, em vez de publicar vários anúncios pequenos. Isso custa uma fortuna. Mesmo com o teatro lotado, continuamos a fazer publicidade porque ela fixa nosso nome, e dá visibilidade para o patrocínio. No ano passado, por exemplo, na temporada que sempre adoramos fazer no Teatro Alfa, tivemos prejuízo.Quanto custa uma produção do Grupo Corpo?Para ser preciso mesmo, esse é um número difícil de determinar. Veja a situação atual. Estamos fazendo um balé novo, mas como separar o tempo de ensaio gasto nele da remontagem de Bach, se as duas coisas acontecem simultaneamente? Estamos fazendo um novo figurino e também refazendo o figurino de Bach. O tempo todo, tudo se mistura. E ainda tem mais misturas porque aqui também funciona a escola. Quanto exatamente, do salário do vigia, cabe ao orçamento da companhia, e quanto cabe à escola, já que ambos empregam o mesmo vigia para a mesma função?

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