Deborah Colker volta com 4 por 4 modificado

Depois de Ovo, novo trabalho do Cirque du Soleil, coreógrafa atualiza o espetáculo em que mais se aproxima das artes visuais

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

Depois de uma frenética temporada em que se tornou a primeira coreógrafa brasileira a criar um novo espetáculo para o Cirque du Soleil, Deborah Colker continua com a agenda lotada. Hoje, ela acompanha o início da curta temporada de 4 por 4, obra para 17 bailarinos apresentada inicialmente em 2002 e que volta totalmente reformulada. "Sempre preciso fazer alguma modificação", comenta Deborah, que prepara a companhia também para uma apresentação especial - em outubro, 4 por 4 será encenado em Nova York.Trata-se do trabalho mais próximo das artes plásticas. "A criação surgiu durante as viagens internacionais que fiz com a companhia, quando aproveitei para visitar museus e galerias", conta Deborah que, enfeitiçada pelas imagens, decidiu transformar a arte estática em movimento. "Seria levar a pintura da parede para o chão sem que isso anulasse a presença do bailarino." Assim, surgiram os quatro momentos do espetáculo: Cantos (baseado em Cildo Meireles), Mesa (grupo Chelpa Ferro), Povinho (Victor Arruda) e Vasos (Gringo Cardia) - além disso, há um quinto em que duas bailarinas dançam acompanhadas ao piano por Deborah.Cantos é um trabalho sobre a percepção, ou seja, como a forma dos objetos adquire contornos particulares a partir do olhar de cada um. "Para mim, é uma coreografia bem cerebral, que promove uma percepção aberta do público." Já em Vasos, talvez a coreografia mais conhecido de 4 por 4, em que os bailarinos se movimentam em meio a chão coberto de vasos, Deborah Colker lança uma provocação sobre espaço e sua ocupação. "Este trabalho de concentração testa os limites pelo outro lado, o da força interna", comenta Gringo Cardia.Voltar à rotina de trabalho, depois de passar mais de um ano viajando entre o Rio de Janeiro e Montreal, no Canadá, onde cuidou da confecção de Ovo, espetáculo do Cirque du Soleil que estreou em maio, é um desafio para Deborah. "Lá, comandei um grupo de 53 pessoas para contar a história de amor entre um bicho azul e uma gorda joaninha", conta. "Como se trata de um trabalho de grandes dimensões, o principal ganho, na minha opinião, foi conhecer melhor a compreensão da plateia."Com isso, a coreógrafa carioca teve a chance de testar o gosto do público em relação à afetividade e à estética apresentadas pelos acrobatas-insetos, que se apresentam em meio a uma trilha sonora com samba e forró. "Para a criação de Ovo, baseei-me muito em meu trabalho anterior, Cruel, que representa minhas investidas em criar uma coreografia que narre uma história."Ovo ainda não tem previsão de estreia no Brasil, mas dificilmente chegará antes de 2013 - depois do Canadá, passará pelos Estados Unidos e Japão. Enquanto isso, Deborah já iniciou sua próxima coreografia. Ainda não definiu nada, mas deverá novamente ter uma história a ser contada. Serviço4 por 4. Teatro Alfa . Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. 6.ª, 21h30; sáb., 17 h e 21 h; dom., 16 h e 20 h; 2.ª e 3.ª, 21 h. R$ 40 a R$ 90. Até 25/8

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