Debates marcam inauguração da Casa do Samba

Especialistas trataram da origem do gênero em evento promovido pelo Iphan

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

As comemorações do centenário de Dona Canô coincidiram com a inauguração da Casa do Samba de Santo Amaro. Na sexta, a abertura oficial - com presença do ministro da Cultura Gilberto Gil, do presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Luiz Fernando de Almeida, do prefeito da cidade, João Melo, e do governador da Bahia Jaques Wagner, Dona Canô, Caetano Veloso e Dona Edith do Prato, entre outros - teve como ponto alto as apresentações de diversos grupos de samba-de-roda do Recôncavo Baiano. No sábado, o seminário Os Sambas Brasileiros: Diversidade, Apropriações e Salvaguarda reuniu nomes de peso como o músico e pesquisador carioca Carlos Sandroni, o jornalista e pesquisador gaúcho Fábio Gomes, o antropólogo paraibano radicado no Rio Hermano Vianna, o ensaísta e compositor paulista José Miguel Wisnik, o pesquisador americano Ralph Waddey, além dos compositores baianos Gil e Caetano.A diversidade deu a tônica não apenas pelas origens dos palestrantes, mas pelo vasto debate que se desenha em torno das raízes do samba e de seus desmembramentos, como sinônimo de vários tipos de batucadas. Uma das falas mais comentadas e elogiadas foi a de Fábio Gomes acerca das origens indígenas do samba brasileiro. Em duas brilhantes falas, Hermano Vianna e José Miguel Wisnik dissertaram, exemplificando com gravações sonoras, sobre a relação do samba com a construção de uma identidade nacional.De origem africana ou indígena, a expressão do samba também foi apontada como uma ''''coincidência sonora de palavras com diferentes significados''''. Para Gil, a palavra samba, que ele também descobriu existir na Jamaica, com outro significado, é um signo conciliador de diversos batuques.Para abrigar a Casa do Samba, o Solar Araújo Pinho, às margens do Rio Subaé, foi totalmente restaurado, vai abrigar museu e promover eventos relacionados ao samba de roda ou outras manifestações rítmicas relacionadas aos batuques, como se viu na noite de abertura. Uma ala do solar (em cuja reforma o Iphan investiu cerca de R$ 2 milhões) conta até com alojamentos para receber grupos de outras cidades.No fim, Gil avaliou o encontro como o início promissor de uma série de trabalhos em torno da preservação do samba. ''''Toda essa questão, o registro do samba como patrimônio imaterial da humanidade na Unesco e depois a Casa do Samba, tudo isso nasceu de encontros que o Ministério da Cultura promoveu com prefeitos e secretários de Cultura e sambadores há dois anos ou mais em Brasília e a gente espera que esse conjunto de interessados e demandantes do que a gente considere salvaguarda, preservação, fomento, todas essas coisas em relação do samba de roda, que a Casa do Samba seja um pólo, entre outros, de irradiação desses deveres, dessas responsabilidades.''''

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