De Cannes para o mundo, 2 propostas ousadas

Eyes Wide Open pode ser demais para o Festival Judaico, mas Humpday seria perfeito para a parada gay

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

Talvez seja uma proposta ousada demais para o próximo Festival do Cinema Judaico de São Paulo e a indicação mais certa para esses filmes seja o Mix Brasil. Às vésperas da grande parada do orgulho gay, o Mix Brasil, festival da diversidade sexual, aos poucos deixa de ser considerado um gueto para abranger a diversidade do próprio cinema. Sem gueto - o importante é que filmes como Humpday e Eyes Wide Open sejam vistos.Ambos integraram a programação do recente Festival de Cannes, o mais importante evento de cinema do mundo. Humpday, de Lynn Shelton, desembarcou na Croisette, na Quinzena dos Realizadores, após ser premiado em Sundance. É curioso que uma mulher tenha proposto essa história sobre dois amigos heteros, que na juventude carregavam a fama de ser não apenas os rebeldes da escola, mas também os maiores dom-juans, ?abatendo? uma garota após a outra. O tempo passa, eles seguem falando de mulheres e esporte, um se casou, o outro vagabundeou pelo mundo, como artista. Numa noite de porre, assumem o desafio - participar de um concurso amador de filmes pornográficos.Escolhem contar a história de um par gay, vão para a cama e, a princípio constrangidos, descobrem prazer nas cenas que filmam. O outro, Eyes Wide Open, Olhos Bem Abertos - ao contrário dos olhos fechados de Stanley Kubrick, Eyes Wide Shut -, do israelense Haim Tabakman, é sobre um rabino ortodoxo que se envolve com seu pupilo na sinagoga. Os olhos abertos são os de Deus, da comunidade, do mundo. Como lidar com o escândalo? Humpday pretende - e é - divertido. Eyes Wide Open, exibido em Un Certain Regard, é grave, denso, uma surpresa.

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