Dassin reinventa a Paixão de Cristo em cena contemporânea

Foram quatro grandes filmes (noir) em três anos: Brutalidade, Cidade Nua, Mercado de Ladrões e Sombras do Mal. Esculpiram a fama do jovem Jules Dassin, mas aí ele caiu na lista negra do macarthismo e teve de se exilar na Europa, onde em 1954, na França, realizou Rififi, iniciando nova fase de sua carreira.Passaram-se mais três anos e, em 1957, Dassin foi a Cannes com Aquele Que Deve Morrer, paráfrase bíblica em que a Paixão de Cristo ganha vida num cenário moderno, a Grécia ocupada pelos turcos. É nesse quadro que, numa pequena cidade, uma encenação religiosa desencadeia a repressão violenta e um novo Cristo tem de dar a vida por seus semelhantes.Jean Servais, Melina Mercouri e Pierre Vaneck estão no elenco e o mais marcante do filme que passa hoje no Telecine Cult, às 19h490, é que Anselmo Duarte assistiu-o em Cannes. Impressionado com a história (e a acolhida), o cineasta brasileiro regressou ao Brasil, adaptou a peças de Dias Gomes e fez O Pagador de Promessas, que guarda muitas semelhanças com o filme de Dassin. Só que Duarte foi mais feliz e seu filme ganhou a Palma de Ouro. A essência, o Cristo dos novos tempos, já estava com Dassin, em Aquele Que Deve Morrer.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

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