Dani Gurgel reúne a galera em álgum de espírito coletivo

A cantora e compositora mostra as novas parcerias de Agora no Ibirapuera

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

É notável como certas cantoras - e também compositoras, como é o caso de Dani Gurgel - evidenciam logo de cara, sem que o ouvinte precise ser especialista no assunto, que a música que produzem é genuína, verdadeira, além de ter recheio consistente. Antídoto às marias gadús, anas cañas, isabellas Tavianis e suspeitas afins, Dani é da ala das novas cantoras-compositoras que têm o que dizer, fazendo arte de caráter libertário. Com bom back-ground e futuro promissor, ela trilha caminho próprio sempre em colaboração com compositores e músicos de sua geração.

Em Agora - Dani Gurgel e o Novos Compositores, que lança com show amanhã no Auditório Ibirapuera, ela vai mais fundo do que em Nosso, o delicioso CD anterior, no quesito ''juntar a galera''. Produzido por Thiago Rabello com Dani, o álbum reúne canções de 14 compositores, além dela e da mãe, Débora Gurgel. Cada faixa conta com a participação de um ou dois autores.

Trata-se de uma significativa panorâmica da atual e intensa produção musical de São Paulo, ou pelo menos de boa parte dela. ''Tem muita gente fazendo música muito boa'', confirma Dani. Entre seus pares estão Vinicius Calderoni, Dani Black, Léo Versolato, Danilo Moraes, Ricardo Teté, Tatiana Parra e Rafa Barreto, autor da cativante Bate Pilão.

''Esse disco tem uma cara diferente do outro, é supereclético, mas a gente tentou amarrar tudo isso com a minha cara'', diz a cantora. ''Quis fazer um trabalho em que tinha a mais a ver cada compositor.''

Calderoni é um dos já figuravam nos trabalhos anteriores de Dani e assina o samba de abertura, Linha na Pipa, que ela considera ''uma espécie de hino''. ''É quase a história da música independente, tem muito a ver com o nosso dia a dia.'' Na introdução, há uma citação do arranjo de Bala com Bala (João Bosco/Aldir Blanc), que César Camargo Mariano fez para Elis Regina em 1972, com fundamento: ''César é uma referência não só pra mim como para os três arranjadores que trabalharam no disco'', reconhece a cantora.

O CD é consequência de uma série de shows que Dani fez com alguns desses compositores, anteriormente à gravação de Nosso (2008). Outros foram de juntando ao longo do tempo. Hoje, ela participa com Dani Black e outros nomes da nova geração do projeto Caldeira Acústica no Auditório Ibirapuera.

Serviço

Dani Gurgel. Auditório Ibirapuera (800 lugares). Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, Parque do Ibirapuera, 3629-1075. Amanhã 21h. R$ 30

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