DAAU, da Bélgica, e sua música estranha e bela

Banda, cortejada por cineastas, faz seu primeiro show no País

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

14 de outubro de 2008 | 00h00

O grupo belga DAAU (sigla de Die Anarchistische Abendunterhaltung) toca hoje na Mostra Sesc de Artes - já tinham tocado no domingo na cidade. É um grupo que faz um som difícil de ser definido. Misturam John Zorn, Portishead, Beatles, Cornelius, Sonic Youth, Tom Waits, Mr. Bungle, Squarepusher, Vivaldi, entre outras coisas.Tem horas, como na música Aufhören, que eles lembram também o Gotan Project. É uma onda belga: duas experiências radicalmente opostas daquele país, o pop eletrônico do Vive la Fête, que tocou aqui na semana passada, e o DAAU, que vem da fria Antuérpia, mostram a diversidade de sua arte."Toda sorte de experiência musical'', disse ao Estado, falando por telefone de Bruxelas, o acordeonista do grupo, Roel Van Camp, que começou a banda no Conservatório de Anvers, onde estudou. O primeiro disco, We Need New Animals, saiu em 1995."É como se fizéssemos música para filmes o tempo todo, só que sem as imagens. É um som instrumental, mas que conta uma história musicalmente", explicou, sem explicar patavina nenhuma. Mas, ouvindo a música deles, é justamente essa a idéia que toma corpo.E, se você disser que parece o Gotan Project, Van Camp não discorda: "A diferença é que eles fazem mais uso da eletrônica do que a gente. Nós escutamos todo tipo de música e fazemos uma mélange de tudo isso. Não há um só estilo, é uma música muito eclética."Roel disse que seu pai era luthier em Anvers, e trabalhava reformando instrumentos antigos. "Não tinha nada novo, eram só velhos instrumentos. Eu escolhi o acordeon porque me pareceu o melhor instrumento para tocar sozinho. era uma orquestra inteira ali dentro."O DAAU tirou seu nome do romance O Lobo da Estepe, de Herman Hesse. E lançam mão de uma citação de Hesse como substrato filosófico: "Eu não posso escrever música, ela me é alienígena, assim como suas fronteiras, mas eu posso certamente entendê-la." A formação ao vivo é essa: os irmãos Simon Lenski (cello, eletrônica) e Buni Lenski (violino), mais Han Stubbe (clarineta), Roel Van Camp (acordeão, fx), Geert?Bootsie?Budts (bateria, eletrônica) e Hannes D?hoine (double bass).

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