Cynthia Nixon vem trajando um De la Renta, emprestado

Atriz conta que há uma disjunção entre sua vida e os personagens do longa

Deborah Solomon, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

Cynthia Nixon, a advogada Miranda Hobbes do seriado e do filme Sex And The City, fala sobre crescer com o sobrenome Nixon, aprender a acompanhar os esportes na televisão com a namorada e sobre como a televisão pode ser a nova Broadway.Sex And The City, o antigo sucesso da emissora HBO sobre quatro mulheres solteiras devotadas a sapatos de grife e outras formas de gratificação pessoal, finalmente rendeu um filme de longa-metragem. Mas o espírito do filme não está fora de sincronia com o espírito de NY numa época em que as pessoas estão apertando o cinto?Mas os mais ricos não estão economizando. É isso que sigo ouvindo, certo? Essas mulheres estão bem de vida. O meu dinheiro e o dinheiro de Charlotte é dinheiro vindo de uma grande firma de advocacia.Gosto do conjunto que você está vestindo. É de grife?É um Oscar de la Renta. Eles me emprestaram para que eu o usasse hoje.Bem, há uma disjunção entre sua vida e os personagens do filme.Com toda certeza.Há alguns anos, você foi morar com uma mulher, após deixar o pai dos seus filhos. É mais fácil morar com uma mulher em vez de um homem?Acho que há mais em comum, sim.Vocês podem usar o mesmo banheiro nos cinemas, por exemplo.É a pura verdade!Vocês dividem as roupas?Não. Christine não usa roupas de mulher; veste apenas roupas masculinas. Ela não usa nem sequer sapatos femininos de qualquer tipo. Comprei para ela um par de botas de caubói que eram do departamento feminino, e ela disse, "Não faça isso de novo".Ela acompanha esportes na TV?Sim. Não temos TV. Mas quando houve a Copa do Mundo, fomos até o bar Ruby Foo e assistimos aos jogos. Assistimos até à final do campeonato de futebol americano. Ela tentou explicar as regras para mim.Você a encara como a figura masculina no relacionamento?Não, de maneira nenhuma. Veja o que está acontecendo agora. Ela está em casa com as crianças, e sou eu quem está na rua trabalhando... Ela vota na Hillary, eu, no Obama.Como foi crescer com o sobrenome Nixon tendo nascido em NY?Horrível. Minha mãe sempre dizia - o pai dela era alemão: "Passei a 2ª Guerra Mundial com um pai chamado Adolph e a década de 70 com um marido chamado Nixon." Horrível!Alguém já lhe disse que você parece a mulher no quadro de Parmigiano, A Madonna do Pescoço Comprido?Tenho uma amiga que às vezes me chama de Bronty, apelido de brontossauro, aquele dinossauro com o pescoço bem comprido. Agora eles têm um novo nome, apatossauro.Em que está trabalhando agora?Na próxima temporada farei uma peça chamada Distracted no Roundabout. Acabo de fazer um filme chamado The Babysitters com John Leguizamo.Você também apareceu como Eleanor Roosevelt num filme da HBO, muito elogiado. Acha que a televisão está superando o cinema enquanto mídia mais criativa?Sim, acho que o que está acontecendo com os filmes acontece também com a Broadway. As produções precisam ser de US$ 100 milhões ou mais. Tem de ser grande, grande, grande. Acho que a televisão é o único lugar restante para qualquer produção de médio porte.Então a televisão é o novo circuito fora da Broadway?Não, a televisão é a nova Broadway, como a Broadway costumava ser nos anos 50.Soube que você recebeu tratamento para câncer de mama em 2006.Fiz uma lumpectomia. Não foi tão ruim assim. Seis semanas e meia de radiação.Você parou de trabalhar durante esse período?Estava envolvida na peça The Prime of Miss Jean Brodie, quando fazia o tratamento com radiação. Na verdade, marcaram minha cirurgia para um domingo, então não perdi uma só apresentação. Sou capaz de ocultar qualquer reação emocional para realizar um trabalho.É uma boa definição de pessoa profissional.Mesmo quando temos medo de voar, subimos no avião.TRADUÇÕES DE ANNA MARIA CAPOVILLA

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