Curtas-metragens de maior sucesso foram os ficcionais

Cineasta exercitou-se muito em documentários, mas Couro de Gato e Vereda Tropical são os mais conhecidos

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Joaquim Pedro exercitou-se no curta-metragem ao longo de sua carreira. De O Mestre de Apipucos (1959) a O Aleijadinho (1978), encontrou no formato curto boa base para ideias a serem desenvolvidas, ou personagens a serem resgatados. Gilberto Freyre, num caso, o grande escultor de Ouro Preto, em outro. Mas também uma ótima discussão do movimento do qual fez parte, Cinema Novo (1967), um média-metragem de 30 minutos produzido para a ZDF, a televisão alemã. Nesses filmes, Joaquim revela-se um didata sem qualquer ranço professoral, abordando seus assuntos com conhecimento de causa e discrição.Mas sendo também incisivo, como no caso de Brasília, Contradições de Uma Cidade Nova (1967). Contando com Jean-Claude Bernardet na elaboração do roteiro, o filme parte do Plano Piloto para as cidades-satélites, mostrando como a utopia do seu urbanismo revolucionário não se havia realizado na prática. E isso, poucos anos de pois da fundação da nova capital do País.Mas os curtas mais famosos de Joaquim são os ficcionais. Couro de Gato (1960) acabou fazendo parte do longa-metragem Cinco Vezes Favela, produzido pelo Centro de Cultura Popular da UNE e um dos marcos do início do Cinema Novo. Na história, o menino do morro que rouba um gato de madame, mas precisa desfazer-se dele por uma questão de sobrevivência. A ideia hoje parece óbvia, mas tinha, na época, uma intenção bastante clara. Mostrar como o mecanismo cruel da exploração interfere até mesmo no mundo da infância. Mundo esse tido como sagrado e inviolável no imaginário da classe média, mas o cineasta procurava mostra que, no morro, a realidade da vida era outra.Outro curta, Vereda Tropical, foi ainda mais falado do que Couro de Gato, e por motivos muito diferentes. Fez também parte, como um episódio, do filme coletivo Contos Eróticos, junto com os episódios Arroz com Feijão, As Três Virgens e O Arremate. Em Vereda Tropical, Claudio Cavalcanti faz um professor habitual a fazer o uso não convencional de melancias para satisfazer sua sexualidade. Inútil dizer que, tanto o tema, como a maneira de Cavalcanti interpretar seu professor fetichista causaram muita repercussão junto à censura.

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