Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Curador quer uma Bienal pluralista e sem hierarquia

Segundo Gabriel Pérez-Barreiro, trata-se de um modelo menos hierárquico de exposição, que pretende contemplar um público bem variado

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 14h41

O curador-geral da 33.ª edição da Bienal de São Paulo, Gabriel Pérez-Barreiro, 48, reafirmou nesta terça, 4, durante coletiva à imprensa, o seu propósito de realizar uma mostra internacional sem tema, justificando a sua intenção de dar liberdade aos artistas. Trata-se, segundo ele, de um modelo menos hierárquico de exposição, que pretende contemplar um público bem variado – afinal, na última edição da mostra, mais de 900 mil visitantes passaram por ela no Ibirapuera.

Nesta edição, sete mostras foram montadas seguindo esse modelo, com artistas assumindo também o papel de curadores, entre eles veteranos como o escultor carioca Waltercio Caldas,  72, que já participou de bienais internacionais, e a jovem paulista Sofia Borges, 34.  Pérez-Barreiro lembrou que não se trata exatamente de um modelo novo, pois os impressionistas já montavam as próprias exposições em sua época. Nesta edição a Bienal vai exibir 12 mostras individuais, nove delas comissionadas.

Há uma separação bem nítida entre as exposições dos artistas curadores e os projetos individuais na expografia concebida por Álvaro Razuk, que recorreu ao conceito de arquipélago para isolar cada uma das ilhas dos artistas. Entre os projetos individuais estão os de Bruno Moreschi e Luiza Crosman, ambos os artistas nascidos nos anos 1980 e questionadores – Moreschi vai apresentar uma mostra chamada Outra 33ª Bienal, que leva em conta a opinião dos visitantes para propor novas ações na mostra internacional.

Pela primeira vez, segundo anunciou a curadoria da Bienal, a mostra faz uma parceria com o Spotify e terá seu audioguia e playlists especiais na plataforma de streaming. A Bienal também terá um  aplicativo com todos os conteúdos informativos da mostra.

O cartaz da 33.ª Bienal foi concebido e executado pelo artista gráfico Raul Loureiro, que reproduz a obra Formas Expressivas, do escultor abstrato franco-alemão Hans Arp (1886-1966), uma pintura em relevo sobre madeira de 1932. Loureiro é autor premiado de capas de livros para editoras como a extinta Cosac Naify e Companhia as Letras.

Entre os artistas participantes desta 33.ª edição de Bienal estão pintores como Siron Franco, que exibe uma série de telas de 1987, baseadas no trágico acidente com o césio em Goiânia, e Vânia Mignone, que mostra pinturas inéditas. Entre os escultores destaca-se o artista carioca Nelson Felix, que monta no pavilhão da Bienal uma instalação com esculturas que se relacionam com uma peça fora do espaço expositivo.

Outro escultor, Tunga, morto há dois anos, é homenageado na mostra pelos artistas curadores Sofia Borges e Waltercio Caldas. Além dele, a Bienal presta tributo a três outros artistas mortos, o guatemalteco Aníbal López, o paraguaio Feliciano Centurión e a brasileira Lucia Nogueira. A Bienal será inaugurada no dia 7 e ficará aberta até 9 de dezembro no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera.

33.ª Bienal de São Paulo

Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 3. 3ª, 4ª, 6ª, dom. e fer., 9h às 19h (entrada até 18h); 5ª e sáb., 9h às 22h (entrada até 21h); fechado às 2ªs. Entrada gratuita. Até 9/12.

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