Cultura exibe último programa de Maysa, gravado em 1975

Estudos, produzido por Antonio Abujamra, vai ao ar hoje, quando se completam 32 anos da morte da cantora

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

A temporada Maysa continua. Depois da minissérie ficcional, é hora de rever a verdadeira diva bem de perto. Hoje, quando se completam 32 anos da morte da cantora, a TV Cultura exibe Estudos, registro de sua última aparição na televisão brasileira em 1975, a partir das 22h10.Produzido por Antonio Abujamra e Dorival Dellias, o programa de 42 minutos segue os moldes do Ensaio de Fernando Faro, com profusão de closes sob pouca luz e perguntas em off do entrevistador. Conforme relatou Lira Neto em sua excelente biografia Maysa - Só Numa Multidão de Amores, Abujamra estava determinado a "arrancar o coração e a alma dessa mulher".A cantora chegou bêbada ao estúdio, sentou no chão e ali ficou. Abujamra acabou gravando o programa onde ela estava, fora do cenário, entre fios elétricos, cabos, suportes de iluminação, uma cadeira e um carro vermelhos. O incidente acabou favorecendo o resultado pela originalidade. Ela que também tinha inovado a linguagem televisiva anos antes, mais uma vez protagonizou um episódio inusitado.O que se vê é uma Maysa ao natural, descabelada, espontânea e intensa como sempre, fumando muito, sorridente e serena. As tomadas das câmeras evidenciam rugas e defeitos proeminentes da face, como a cicatriz de uma mordida de cachorro no nariz. Com a voz meio embolada pela bebida, ela afaga a própria memória e evoca outro combustível, além do uísque, que sempre a moveu: o amor, claro. Um dos momentos mais bonitos é quando ela vibra ao ouvir seu ídolo Edith Piaf numa fita cassete que pôs para rodar em seu gravador, depois de mostrar um registro dela própria em duo com o parceiro Julio Medaglia. Uma raridade.Ao lado de músicos como Paulo Moura, cantando com a pungência característica, Maysa relembra clássicos de sua autoria (Resposta, Ouça) e de outros compositores que gravou, como Tom Jobim, Dolores Duran e Silvio Caldas (Se Todos Fossem Iguais a Você, Dindi, Por Causa de Você, Chão de Estrelas), além da francesa Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel), indissociável de sua imagem, entre outras. Um documento valioso.

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