Cultura com sotaque

Veja o respeitável roteiro artístico na região

O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2008 | 00h00

O Nordeste também é um paraíso cultural. Pelo menos três espaços da região não vão fazer ninguém se arrepender de deixar as praias um pouco de lado. Em Salvador (BA), a Fundação Casa de Jorge Amado homenageia o escritor que melhor retratou o Estado. A instituição foi erguida no mesmo Largo do Pelourinho onde Vadinho saiu de braços dados com dona Flor e o outro marido na famosa obra do autor. Entre ladeiras centenárias e sobradões, o local pretende ser uma espécie de Academia Brasileira de Letras para os mortais, com vasta coleção de livros e atividades culturais. Lá as pessoas se reúnem para discutir literatura e outros assuntos não necessariamente intelectuais. Antes de morrer, em 2001, o escritor explicou no que gostaria que se transformasse o espaço, que abriga mais de 250 mil documentos. "Desejo que nesta casa o sentido da vida da Bahia esteja presente e que isto seja o sentimento de sua existência... Que, ao lado da pesquisa e do estudo, seja um local de encontro, de intercâmbio cultural entre a Bahia e outros lugares." Por problemas financeiros, o espaço precisa mais do que nunca dos turistas para manter vivo o objetivo do autor. Funciona das 10 às 18 horas, de segunda-feira a sábado.O jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde, foi ovacionado nas ruas da então capital do País, Rio de Janeiro, ao desafiar o Império em um ato contra o tráfico de escravos. Conseguiu apoio nos portos e interrompeu o comércio em Fortaleza por três dias de 1881. Impetuoso, ganhou o apelido de Dragão do Mar e, mais de um século depois, um centro cultural em sua homenagem na capital cearense.A democratização do acesso à arte é a marca do Centro Dragão do Mar, aberto todos os dias, das 14 horas às 21h30. Há exibições de várias manifestações artísticas. Ao lado de um escultor que exibe sua técnica, vê-se um ensaio de teatro e, ao fundo, ouve-se música ao vivo.No Recife, o ateliê de um escultor pernambucano tornou-se um centro cultural: a Oficina Brennand . O espaço ocupa uma área onde funcionou uma fábrica de tijolos e telhas. Um museu a céu aberto, um templo de um dos maiores talentos artísticos do País, Francisco Brennand,que está sempre recriando o espaço ao acrescentar novas obras. Abre de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.Além das esculturas, a Oficina tem belos jardins. No espaço Accademia, há exposição e venda de peças.Fundação Casa de Jorge Amado: www.fundacaojorgeamado.com.brDragão do Mar: www.dragaodomar.org.brOficina Brennand: www.brennand.com.br

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