Criou o hábito da leitura diária de análises críticas

Nos anos 50 e 60, o Brasil pode ostentar, no jornalismo diário, críticos de cinema que não perdiam para seus pares de países mais desenvolvidos. Não tínhamos um time de ensaístas porque não contávamos com revistas especializadas tipo Sight and Sound ou Cahiers du Cinéma. O grande fator desse boom foi a estreia de Moniz Vianna no Correio da Manhã, em 1946. Seu texto apaixonado e a tenacidade de suas críticas cotidianas, altamente informativas, na primeira coluna fílmica da imprensa brasileira com espaço tão sagrado como o dos editoriais, criou o hábito da leitura de análises críticas.Moniz se antecipou, sem teorização, à "política dos autores", defendida pelos Cahiers du Cinéma, trocando em miúdos para o leitor as características narrativas e estilísticas dos diretores. Antes de Moniz, o leigo só reconhecia os estilos dos atores ou de alguns diretores destacados na publicidade: um Hitchcock ou um Frank Capra. Também foi intelectualmente brilhante na "torcida": sabia encontrar digitais de seus cineastas favoritos até nas encomendas mais anódinas dos estúdios.Graças a Moniz e seus colaboradores fiéis, os fãs (e também críticos e cineastas) descobriram a história e a estética de cinematografias como a italiana, a francesa e a americana nas maravilhosas retrospectivas que a Cinemateca do MAM trouxe ao Brasil.Nunca alcançou a graça de reconhecer a identidade e a importância cultural da produção brasileira: abriu exceção apenas para meia dúzia de diretores capazes de sustentar um diálogo inteligente com ele. Por outro lado, quando ocupou cargos em órgãos de cinema, batalhou seriamente pelo fomento à produção. Ely Azeredo é crítico de cinema, criador da expressão Cinema Novo e autor de Infinito Cinema, entre outros livros

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