Crime e arte, ou a Carmem do provocador chamado Godard

No começo dos anos 80, uma avalanche de Carmens invadiu as telas dos cinemas, numa retomada da heroína de Prosper Merimée que inspirou a ópera de Georges Bizet. Carmem sempre foi uma personagem emblemática no imaginário masculino, como a mulher que atiça o desejo dos homens e os leva à destruição. As múltiplas Carmens dos 80 foram assinadas por diretores ilustres - Carlos Saura, Francesco Rosi, Jean-Luc Godard, Peter Brook.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

A Carmem de Godard é a atração de hoje, às 20h25, no Telecine Cult. Quem interpreta o papel é Maruschka Detmers, atriz que havia ficado famosa por sua cena de sexo oral em Diabo no Corpo, de Marco Bellocchio. Godard, nome importante da nouvelle vague - movimento que completa 50 anos -, foi sempre um provocador. Sua arte consiste em desconstruir, mais do que em contar histórias.

Sua Carmem possui dois tempos - de acordo com o mito, ela seduz um segurança como parte de um plano para assaltar banco. Mas Godard, além de não contar sua história linearmente, desenvolve outra vertente - trama? - sobre um grupo musical que ensaia Beethoven. Crime e arte, desejo e sublimação. Nunca houve uma Carmem como esta.

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