Crescendo como mato

São mais de 100 novos imóveis que surgem por dia, em média, na Cidade de São Paulo

CAROLINA DALL?OLIO, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

Uma cidade com média de 105 unidades imobiliárias novas lançadas por dia. Esse número dá a noção da importância do mercado da Capital e da Grande São Paulo. Dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp) mostram que, em 2007, foram lançadas 59.403 unidades imobiliárias na Região Metropolitana de São Paulo - quase o dobro dos lançamentos de 2006. Só na capital, o número chegou a 38.536 imóveis. "Foi um ano histórico", afirma João Claudio Robusti, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). E o melhor sintoma desse momento especial é a realização de mais um Feirão da Casa Própria, que vai até o domingo (veja horários na página 3) e, que ocorre no Expo Center Norte, na Rua José Bernardo Pinto, Vila Guilherme).A capital paulista foi o epicentro do mercado imobiliário em 2007 e colaborou significativamente para que o setor de construção civil fechasse o ano com alta de 5% em relação a 2006. Os números da criação de empregos no ramo refletem esse fenômeno. No Brasil, a taxa de crescimento de postos de trabalho no setor em 2007 foi de 15%. No Estado de São Paulo, chegou a 20%. Porém, na cidade, o número foi bem mais expressivo: bateu na casa dos 25%. "E tudo indica que, em 2008, São Paulo vai continuar a ser vedete", estima Robusti. Somente no primeiro trimestre do ano, mais de 10 mil imóveis foram construídos na Grande São Paulo - 6.752 deles na capital. "Embora o mercado de alta renda já esteja quase saturado na região, ainda há muito espaço para crescer entre as classes média e média-baixa", analisa o presidente do Sinduscon.O bom momento da economia é um dos fatores que justificam esse otimismo. Só nos dois últimos anos, a renda dos trabalhadores cresceu quase 20%. Já descontada a inflação, o aumento correspondeu a R$194 bilhões a mais no ganho das famílias em relação a 2005. A oferta de crédito também disparou. Hoje, estima-se que o valor destinado a financiamentos imobiliários corresponda 4% do PIB, sendo que 2% equivalem apenas ao valor disponível nas carteiras do FGTS. "Mas em países com uma realidade próxima à brasileira, como Chile e México, o volume chega a mais de 12% do PIB. Isso mostra o quanto ainda podemos crescer", diz Robusti.Para João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), a ampliação do prazo de financiamento - que, no fim do ano passado, passou de 20 para 30 anos - também deve ajudar a esquentar o mercado imobiliário em 2008. "Isso beneficia principalmente a classe média baixa, para quem a diminuição no valor da parcela já faz grande diferença."

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