''Creio na segunda chance para tudo''

Marcelo Rubens Paiva fala do seu mais novo romance, sobre as relações contemporâneas, que ele autografa a partir das 19 h

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2008 | 00h00

Marcelo Rubens Paiva é fascinado, até a morbidez, com uma cena comum a todas as separações. É aquele momento em que um dos amantes chega para o outro e diz: "Precisamos conversar." "Porque o mundo será outro a partir daquele segundo. E, atordoados, teremos de quebrar pactos. É um sofrimento opcional. Decide-se romper, acabar com o amor. É preciso coragem para acabar." Ariela teve coragem de terminar o casamento com Raul, jornalista, que pouco depois teria outro trauma: seria demitido de um revista conceituada. O jeito foi Raul se virar com o que o mar trouxe à praia: agenciamento de prostitutas, função desempenhada com afinco e sucesso a partir de um flat no bairro dos Jardins.Esse é o enredo de A Segunda Vez Que Te Conheci, que será lançado hoje, e trata das relações contemporâneas, em especial do sexo pago. "A prostituição parecia extinta com a revolução sexual. Mas ela renasceu na sociedade que quer rapidez, papéis claros e, sobretudo, privacidade", diz. "O sujeito se envolve com uma garota de programa, quando quer ainda aquela mulher submissa, obediente, descartável, sem conflitos." Marcelo Rubens Paiva fez pesquisa de campo - em esquinas, boates e sites - para conhecer alguns dos segredos do universo das prostitutas. "Freqüentei pontos de programa bizarros, não tenho preconceitos. Converso, fico amigo. Talvez eu também seja parte desse mundo de gente esquisita e discriminada."Embora tenha se envolvido com Fabi, amiga da ex-mulher, depois da separação, Raul não conseguiu esquecer Ariela. E como ex-mulheres sentem saudade dos ex-maridos, especialmente dos que elas abandonam, depois de ler uma crônica sobre amor, escrita por Raul e publicada na revista da qual foi demitido, Ariela o procurou. Voltaram a sair. Raul continuou como cafetão. "Acredito que todos querem estar casados, felizes, querem agregar, e que, no mundo cheio de tentações, rola a desagregação. Acredito em segunda chance para tudo: é o ponto de partida do que escrevo", diz. "Me reconstruí, aos 20 anos, como deficiente. Quero dizer para as pessoas que existe uma segunda chance. E às vezes é preciso deixar de ser para ser outra coisa." Isso dói, e não é pouco, mas o homem tem força dentro de si para renascer diferente, como diz Raul no diálogo final de A Segunda Vez Que Te Conheci.

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