Karsten Moran/The New York Times
Karsten Moran/The New York Times

Coronavírus: Metropolitan prevê prejuízo de 100 milhões de dólares

Para executivos do museu de Nova York, isolamento deve acontecer até julho e a crise vai levar a demissões em todas instituições culturais

Robin Pogrebin, The New York Times

20 de março de 2020 | 19h11

Num sinal vigoroso de que as vítimas da epidemia de coronavírus incluem até as mais robustas instituições do país, o Metropolitan Museum of Art, projeta um prejuízo total de US$ 100 milhões pelo seu fechamento até julho, segundo carta enviada aos seus diretores de departamento na quarta. “Este é um tempo extraordinariamente desafiador para nós todos”, diz a carta, assinada pelo presidente e diretor executivo Daniel H. Weiss e o diretor Max Hollein. “Como membros da equipe do Met, temos a responsabilidade de proteger e preservar a valiosa instituição que herdamos.”

O Met é um importante sinal de alerta para as instituições de arte de todo o país. Quando o museu anunciou em 12 de março que estava fechando, outros espaços seguiram o exemplo. Se um mastodonte como o Met, que tem um orçamento operacional de US$ 320 milhões e US$ 3,6 bilhões em doações, prevê esse prejuízo financeiro, instituições menores poderão simplesmente não sobreviver.

“Muitos museus vêm utilizando todas as reservas para sobreviver no próximo mês”, disse Laura Loft, presidente e diretora executiva da American Alliance of Museums. Cerca de um terço dos museus nos EUA já vinha operando no vermelho ou até fechou mesmo antes do coronavírus, acrescentou ela. “Três quartos dos museus já fechou e um terço não será reaberto se a crise continuar.”

O Tenement Museum, no Lower East Side de Manhattan, que recebe uma doação em dinheiro de US$ 2,7 milhões e depende das receitas que aufere para quitar custos operacionais, demitiu 13 funcionários, ou seja, 20% da sua equipe. “Nossas projeções orçamentárias são de que até o fim de junho não teremos receitas”, informou Morris Vogel, presidente do museu, acrescentando que a instituição deve US$ 9,5 milhões em títulos, o que a impede de pedir empréstimo.

O Met, diante de suas dificuldades financeiras, criou uma resposta em três fases: manter os funcionários trabalhando em casa, recebendo salário, até 4 de abril, quando o museu vai estudar licenças, demissões e aposentadorias voluntárias; de abril a julho, o museu vai avaliar como controlar os gastos e reduzir custos, incluindo o congelamento de despesas irrestritas e contratação de pessoal; e de julho a outubro “reabrir com programa reduzido e estrutura de gastos mais econômica, prevendo menor frequência do público pelo menos até o próximo ano por causa da queda do turismo doméstico e global”.

O Met, que calcula que o prejuízo do vírus vai pesar neste ano fiscal e no próximo, criou um fundo de emergência de mais de US$ 50 milhões realocando recursos ilimitados usualmente utilizados para aquisições e programação para seus gastos operacionais, arrecadando fundos de fundações e doadores e continuando com a assistência do governo. O museu fez seus planos baseado em informações recebidas “dos epidemiologistas”, disse Weiss, ou seja, que a pandemia deve atingir seu pico no início de maio, de modo que é improvável que a recuperação comece até a segunda metade de junho. Os executivos do museu adotaram as decisões em conjunto com a diretoria e seu comitê executivo. A diretoria plena foi informada às 16 horas da quarta e os funcionários notificados no início daquele dia. O Met gasta com salários US$ 16 milhões por mês, informou Weiss, acrescentando que demissões serão inevitáveis. “Teremos de demitir como todo mundo terá. O que é desalentador.”

Henry A. Garrido, diretor executivo do District Coucil 37, sindicato que representa a maior parte dos funcionários do Met, disse estar consternado ao ver o museu falar em demissões antes de consultar o sindicato, o que considera “violação do acordo trabalhista”. O museu também tem muito dinheiro guardado que deveria usar antes de reduzir seu pessoal, lembrou Garrido.

Examinando a receita perdida, junto com os custos com que tem de arcar, o Met calcula um prejuízo de US$ 60 milhões até o fim do ano fiscal, em 30 de junho. E mais US$ 40 milhões de receitas perdidas até julho e nas primeiras etapas de recuperação. Antes da pandemia, o Met projetava um déficit este ano de US$ 3 milhões a US$ 4 milhões – uma queda em relação aos US$ 10 milhões no ano fiscal de 2017 – o que, segundo Weiss, era equivalente a um orçamento equilibrado.

O Met espera não ter de utilizar suas doações, que segundo Weiss deverão cair para US$ 3,3 bilhões por causa do declínio das bolsas. “Com o atual impacto nas doações, fica difícil dizer até o mercado se estabilizar. Nossa intenção é utilizar as doações só como último recurso.” / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.