Convívio das diferenças marca o musical Esta É a Nossa Canção

Clássico escrito por Neil Simon há 30 anos inicia hoje temporada paulistana

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

A cena parecia fazer parte da ficção, mas era pura realidade - trata-se do início do segundo ato do musical Esta É a Nossa Canção, momento em que a atriz Amanda Costa, interpretando a talentosa letrista Sônia Walsk, fazia um movimento simples com o corpo. "Mas, ao girar, ela caiu no chão e, para nossa surpresa, não conseguia mais pisar firme", lembra-se Tadeu Aguiar, que vive o consagrado compositor Vernon Gersch. Os ligamentos do joelho se romperam e, depois de consultar o público presente no Teatro Carlos Gomes, no Rio, Aguiar - que também cuida da produção geral do espetáculo - convocou Ana Baird, a substituta de Amanda, que participava das cenas do coro. "Em pouco tempo, memorizei o resto do musical e assumi o papel de Sônia", conta ela. "O curioso é que, naquele dia, a encenação de Esta É a Nossa Canção começou com uma morena no papel principal e terminou com uma loura."

É justamente essa blond girl que inicia a partir de hoje a temporada paulistana de Esta É a Nossa Canção, no Teatro Imprensa. Trata-se da história da tempestuosa relação entre um consagrado compositor, Vernon Gersch, e uma talentosa letrista, Sônia Walsk, unidos por suas gravadoras apesar de viverem em mundos distintos. Lançado em 1979 nos Estados Unidos, o musical é fruto da parceria de dois craques, o dramaturgo Neil Simon (autor, entre vários outros, de Sweet Charity, dirigido por Bob Fosse) e o compositor Marvin Hamlisch (A Chorus Line).

"O musical é recheado de detalhes por conta do talento e da obstinação desta dupla", comenta Aguiar, que enfrentou muitos obstáculos até conseguir montar a primeira versão brasileira. Por três vezes ele teve os direitos do espetáculo, mas precisou de paciência e de 15 anos até concretizar o projeto. Na primeira tentativa, não conseguiu patrocínio. Na segunda, estava próximo de fechar o negócio quando sofreu uma doença que o deixou fora de combate - era uma mielite transversa, que ataca o sistema nervoso e, normalmente, deixa, quem sobrevive, paraplégico ou com sequelas graves. Felizmente, não só saiu ileso como manteve a disposição até conseguir recursos para esta montagem.

Como o texto de Neil Simon tem uma aparente simplicidade - na verdade, sua principal característica é oferecer inteligentes jogos de linguagem -, Tadeu decidiu cuidar pessoalmente da tradução, acertando os momentos cômicos para a realidade brasileira. "As piadas são muito sutis e foi preciso muito cuidado para não perdê-las", conta o ator, que fez 15 versões até chegar à definitiva. O trabalho foi favorecido quando, em San Diego, ele conheceu pessoalmente Marvin Hamlisch, que lhe forneceu preciosas dicas sobre a concepção do espetáculo.

Outro cuidado veio com a presença do diretor americano Charles Randolph Wright que, apesar de rascunhar algumas palavras em português, preferiu confiar na sensibilidade de seu ouvido. "Nos primeiros ensaios, ele ficava de costas para os atores e esperava identificar a intenção das cenas a partir da sonoridade das palavras. Se isso acontecia, a tradução era considerada ideal."

Ana Baird participou de todo o processo e, mesmo ocupando o papel principal apenas uma vez, captou rapidamente a essência do papel. Agora, ela terá uma substituta, a ser escolhida entre quatro atrizes.

Serviço

Esta É a Nossa Canção. 135 min. 10 anos. Teatro Imprensa (452 lug.). Rua Jaceguai, 400, 3241-4203. 6.ª e sáb., 21h; dom., 19 h. R$ 60/R$ 70. Até 29/11

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