Consagrado na TV e aplaudido no cinema

Na última semana da novela Paraíso Tropical e em plena polêmica gerada pelo filme Tropa de Elite, Wagner Moura vive momento glorioso

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Ator desde os 15 anos, Wagner Moura, aos 31, vive um momento glorioso de sua carreira. O Brasil inteiro estará em suspense amanhã, grudado diante da TV para assistir ao final de Paraíso Tropical. Para muitos, a grande pergunta não é ?Quem matou Taís?? e, sim, ?Olavo vai ficar com Bebel?? O empresário mau-caráter e a garota de programa caíram no gosto do público e há grande expectativa para que eles fiquem juntos. Será? Paraíso Tropical tem registrado altos índices de audiência, mas outra faceta do talento de Wagner Moura tem dado o tom da discussão no cinema brasileiro.Ele faz o capitão Nascimento de Tropa de Elite, o filme polêmico de José Padilha que virou a sensação do ano. O êxito de Tropa de Elite tem sido anunciado por vários indicadores. Nas sessões especiais, como a que abriu o Festival do Rio na quinta-feira da semana passada, o Capitão Nascimento foi aplaudido em cena aberta quando mata e tortura traficantes nos morros do Rio. Pirateado, calcula-se que Tropa de Elite já tenha sido visto por 3 milhões de pessoas. Muita gente garante que isso não vai impedir o filme de se transformar no sucesso do ano, quem sabe no sucesso do cinema brasileiro da Retomada, a fase que começou há 12 anos. O capitão Nascimento é um herói? Tropa de Elite é fascista?Na segunda-feira, Wagner Moura conversou sobre tudo isso com a reportagem do Estado. Ele havia marcado a entrevista para o meio-dia, no café do Parque Lage, no Jardim Botânico. Como mora ali perto, veio caminhando, ainda sonado. Desculpou-se por ficar bocejando - "Bicho, passei a noite gravando. Fui dormir às 7 da manhã." Nos últimos dias, tem sido essa a sua rotina. Nas madrugadas de sábado e domingo, ele gravou uma cena de perseguição particularmente trabalhosa. Ontem, receberia as cenas finais de Paraíso Tropical, que serão gravadas hoje. A pergunta que não quer calar - Olavo vai ficar com Bebel?"Cara, não sei. Não estou mentindo. Já tem até capa de revista detalhando a morte do Olavo, mas ainda não recebi o capítulo final. Mas eu desconfio de que Gilberto Braga vai aprontar alguma com a gente. Olavo e Bebel viraram queridinhos do público, mas aprontaram muito. Acho que o Olavo vai ser punido, não sei se com a morte." Wagner tem alguma explicação para o fato de dois personagens de moralidade tão discutível - Olavo e Bebel - terem superado o afeto que o público tradicionalmente dirige para o mocinho e a mocinha? Pode-se ver nisso um sintoma da crise que assola o País - moral, institucional, como não brada a oposição?"Não sou sociólogo para ficar opinando sobre isso, mas tem um lado técnico que eu acho importante destacar. É o humor. No início, nem Olavo nem Bebel tinham muito humor, não. Foi algo que descobrimos e desenvolvemos, Camila (Pitanga) e eu. Os autores começaram a escrever cada vez mais pensando no humor."

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