Conheça as duas tiras vencedoras

O cartunista Custódio, com 20 anos de carreira, leva como profissional, e os novatos Tobias e Rafael na categoria de estudantes

O Estadao de S.Paulo

23 de julho de 2008 | 00h00

Paulistano de 40 anos, o cartunista Custódio é o grande vencedor do Concurso de Tirinhas promovido pelo Estado, que mobilizou, durante o mês de junho, mais de 1,7 mil trabalhos, e mostrou que o desenho nacional vive uma fase fértil, com uma produção variada e rica.José Custódio Rosa Filho venceu na categoria profissional, com a tira irônica que mostra os personagens Biro e seu Cérebro, uma metáfora da divisão e da ambigüidade que vive o homem face à razão. Já Tobias Gonçalves Botelho, de 24 anos, estudante de Propaganda e Marketing na Unimonte, em Santos, ganhou na categoria amadora, com uma visão sarcástica das neuras do homem urbano. Tobias só começou a fazer tiras no início deste ano e teve como colaborador um colega de trabalho, Rafael Bedulatto, também de 24 anos, com o qual mantém o site Frango Albino.Cada um ganhou uma mesa digitalizada de desenho Wacom Intuos 3 e um computador com chip Intel Core 2 Duo E4500 (2Gb de memória RAM, 320 de HD) e DVDRW (Lightscribe).''Existe um espaço muito pequeno na imprensa para as tiras de quadrinhos, e o pouco existente é quase imutável'', disse Custódio. ''Sob esse aspecto, o mérito do concurso é criar uma chance para quem tem esse tipo de produção mostrar suas idéias.''Custódio resumiu da seguinte maneira sua tira e seus personagens: ''O Biro é um cara que tenta ser racional. Tenta fazer dieta, exercícios, adquirir conhecimento, cumprir os prazos. Tenta ser um cara ''do bem''. Seu lema seria ''controle''. Já o cérebro, por outro lado, sabota todas as iniciativas do dono. É quase irracional, vive pelo prazer. Ele é incontrolável. Desta tensão, desta justaposição de forças, você tem infinitas situações engraçadas que podem ser exploradas'', analisou o cartunista, veterano que começou a carreira há 20 anos.''Nunca, jamais pensei em ganhar nada com essas tirinhas. Na verdade, me inscrevi no concurso por livre e espontânea pressão dos amigos da agência em que trabalho'', disse o bem-humorado iniciante Tobias. ''Ganhar o Concurso de Tirinhas Estadão serviu pra provar, para mim mesmo, que se pode fazer muita coisa boa usando criatividade, tempo livre e sarcasmo''. Tobias diz que faz suas tiras apenas com o intuito de divertir os amigos no cotidiano, e também ''qualquer pessoa que curta um humor, digamos, mais ácido que o convencional''.Experimentado, Custódio criou personagens, tiras, charges, cartuns e animações para empresas, agências de publicidade, sindicatos, revistas, jornais e TV. Também ilustrou livros infantis. Pela Agência Estado, entre 2002 e 2006, publicou charges em 55 jornais no Brasil e um do exterior. Publicou também Manual do Sexo Virtual (Nova Alexandria, 2000).Entre 2002 e 2006, foi sócio, junto com o cartunista Spacca, numa empresa que fazia cartuns e quadrinhos para RH, marketing e publicidade. Também criou animações para a peça Sexus, a Comédia, em 2006. Foi premiado nos salões de humor de Volta Redonda, Amazônia, Brasília e no National Press Club do Canadá em 2005.Ele acha que a tira Biro e seu Cérebro pode ter vida longa. ''Esta relação entre nós e nossa mente é um assunto com o qual lidamos diariamente. Desde onde esquecemos as chaves do carro até as fobias ou a mais absurda dissonância cognitiva, isso é um universo imenso para um fazedor de tiras'', considerou. ''Se formos olhar bem, Calvin e Haroldo, talvez a melhor tira já feita, é apenas uma metáfora de um garoto que imagina que seu tigre de pelúcia está vivo. Mas a riqueza dos personagens faz isso ir muito além.''Integrante do júri que escolheu entre os mais de 1,7 mil trabalhos na primeira fase (a segunda teve 600 finalistas), o cartunista Jal (codinome de José Alberto Lovetro) considera que o concurso foi um dos mais ricos do qual participou. Ele destacou o trabalho dos profissionais, mas também disse que viu uma safra muito interessante entre os concorrentes universitários.''A universidade, todos nós sabemos, é justamente onde o cartunista começa a trabalhar, a aperfeiçoar seu traço. E o concurso revelou uma geração com material muito bom, e vários deles poderiam já publicar tranqüilamente em jornais e revistas.'' Jal disse que, se tivesse havido mais tempo para as inscrições (o período para apresentar trabalhos durou um mês), certamente teria ''dobrado'' o número de inscrições, pelo procura intensa. Segundo ele, predominou na escolha dos vencedores a idéia de que uma tira não pode ter um caráter efêmero, ela deve ser feita para durar - portanto, não pode se apoiar apenas em um tipo de trocadilho. ''Manter um trocadilho durante anos é complicado''.

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