Congresso vai discutir possíveis rumos da arte

De hoje a sábado, o Brasil sediará pela primeira vez o encontro de gestores de casas de espetáculos de mais de 20 países

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

Aproximadamente 350 gestores das artes, sendo 120 estrangeiros, vão se reunir de hoje a sábado em São Paulo para trocar experiências, incentivar projetos que soem inovadores e discutir rumos possíveis de serem trabalhados nos campos do teatro, da dança e da música. Pela primeira vez, o Brasil sediará o Congresso da Sociedade Internacional para as Artes Performáticas (International Society for the Performing Arts, ISPA, em inglês), cuja edição já alcança o número 23."Há cerca de 4 anos, achei que deveríamos nos candidatar para sediar este congresso, porque acredito que precisamos olhar o que está sendo feito lá fora, aprender com eles o que fazem bem e também expor o que sabemos fazer muito bem", diz Claudia Toni, membro da entidade há oito anos e agora responsável pela coordenação do comitê organizador do Congresso no País. "Estamos exportando muito pouco, em um nível muito abaixo do que seríamos capazes. Ainda estamos engatinhando na promoção do que fazemos, se compararmos com o trabalho que vem sendo realizado em países como Colômbia e México, cujas estruturas de seus ministérios de cultura já estão fortalecidas. Precisamos organizar ações que exportem o nosso saber artístico", complementa.No entender de Claudia, isso não significa trazer à tona discussões sobre leis de incentivo e demais apoios governamentais. "Esse debate já se transformou em uma quase ?não-questão?. Há tempos que ele está obscurecendo discussões de outras questões mais importantes." A melhor maneira de se administrar casas de espetáculos, como por exemplo adicionar programas educativos em horários alternativos, além de oferecer cultura democrática de qualidade serão os pontos focados no encontro, que contará com a presença de Graham Sheffield, diretor artístico do Barbican Center de Londres, Alicia Adams, vice-presidente do Kennedy Center de Washington, e Faith Tan, programador do The Esplanade de Taiwan, entre muitos outros.No próximo sábado, às 21 horas, na Sala São Paulo, a 23ª edição do evento vai conceder o prêmio de artista emérito à atriz Fernanda Montenegro, ao pianista Nelson Freire e à companhia de dança mineira Grupo Corpo. Segundo a organização, o troféu, que já foi entregue ao cantor Gilberto Gil e ao maestro alemão Kurt Masur, é anualmente outorgado "a artistas que exibam incontestáveis provas de dedicação e talento nas artes do espetáculo."Tudo o que for discutido nas mesas-redondas, como a intitulada Inclusão nas Artes, hoje, às 16h45 no Masp, que terá participação do coreógrafo Ivaldo Bertazzo e de Chico Pelúcio, co-fundador do Grupo Galpão de teatro, Claudia pretende reunir em uma publicação futura, a fim de distribuir o que a princípio é restrito ao público em geral.

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