Confraria é levada para o papel

Criada na internet, publicação literária lança versão impressa

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

Em comemoração aos dois anos de existência da revista eletrônica Confraria, fundada em março de 2005, a editora Confraria do Vento lança a primeira versão impressa, reunindo textos de 71 autores, que vão do ensaio e dos contos à poesia, divulgados originalmente na internet (www.confrariadovento.com). A idéia é criar a cada seis meses uma edição retrospectiva dos trabalhos veiculados na web, mídia fundamental, por democratizar o acesso dos interessados, segundo os editores.Confraria optou por apresentar autores iniciantes e consagrados, com atuações variadas, como Ferreira Gullar, Nei Lopes, Ivo Barroso, Luiz Ruffato, Ezra Pound e Manoel de Barros. Autores aplaudidos em seus países ganharam a primeira tradução para o português, como Serge Pey (poeta e dançarino francês) e Hagiwara Sakurato (pai da poesia coloquial moderna no Japão). Os editores do periódico estabeleceram a recusa de publicar um mesmo autor em um intervalo de menos de dois anos para que possam garimpar novos nomes e textos.A revista aposta na divulgação de facetas insuspeitadas, que não têm a ver com o métier dos colaboradores. Assim, é possível conhecer um Allen Ginsberg ensaísta, um Jean Baudrillard fotógrafo e um Boaventura de Sousa Santos contista. O poeta mato-grossense Manoel de Barros dá uma breve entrevista nesta edição comemorativa. Ele responde a perguntas inusitadas da equipe de Confraria sobre definição de poesia - ''''O senhor acha que a qualidade da poesia brasileira de hoje é a causa do aquecimento global?''''; ''''Acho que a poesia não causa nada porque a poesia é nada. E se o Nada desaparecer a poesia acaba''''. E Manoel de Barros continua a desenvolver, na resposta seguinte, o entendimento sobre o que seja poesia. ''''Ela é produto das visões de um poeta. E as visões trazem por dentro nossas loucuras, nossas fantasias e coisinhas à-toa, sem procedência.''''O escritor português Gonçalo M. Tavares aparece com a publicação de cinco poemas aforísticos, num dos quais ele define a fugacidade do amor, sentimento que termina e acaba quando menos se espera e para o qual a literatura desde sempre tenta uma definição.Também português, o filósofo Manuel Antônio de Castro assina o ensaio As Três Pragas do Século 21. Classificadas de pragas de violência sutil e silenciosa, a informação/conhecimento, a fala e a verdade se infiltram às escondidas na vida dos indivíduos para lhes degradar a qualidade. A produção em excesso da tríade aprofunda a exclusão entre os seres humanos.

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