Studio Nóbrega
Studio Nóbrega

Concretos e neoconcretos dialogam em exposição

Studio Nóbrega abre mostra com obras de coleções particulares raramente exibidas

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2017 | 06h00

São 25 obras raras e de primeira grandeza que o pintor e desenhista Macaparana reúne na exposição Concretos/Neoconcretos Paulistas, a partir desta quinta, 26, no Studio Nóbrega. Ele mesmo grande amigo de dois dos artistas presentes na mostra, os neoconcretos Willys de Castro (1926-1988) e Hércules Barsotti (1914-2010), Macaparana selecionou só mestres dos dois movimentos, a começar pelo mentor do movimento concreto, Waldemar Cordeiro (1925-1973), representado por uma obra desestabilizadora produzida em 1964, Tudo Consumido, assemblage monocromática branca em que uma cadeira invade o espaço bidimensional da tela e rende-se à perspectiva isométrica que remete ao cartaz da 1.ª Bienal de São Paulo assinado por Antonio Maluf (1926-2005), também na mostra.

Três obras da coleção particular do poeta concreto Décio Pignatari (1927-2012) – telas de Geraldo de Barros (1923-1998), Hermelindo Fiaminghi e (1920-2004) Maurício Nogueira Lima (1930-1999) – foram fundamentais para a organização da exposição retrospectiva, toda ela montada com obras pertencentes a colecionadores particulares. Como se sabe, após a compra da coleção de arte construtiva de Adolpho Leirner pelo Museum of Fine Artes de Houston (EUA) e das aquisições de concretos brasileiros pela coleção Patricia Cisneros, ficou difícil achar no mercado local peças históricas dos dois movimentos – concreto e neoconcreto –, hoje vendidas a preços estratosféricos.

Entre os artistas da exposição, além dos já citados, há ainda uma das poucas telas da fase concreta de Volpi (1896-1988), uma das melhores pinturas de Judith Lauand e trabalhos de Alexandre Wollner, Luiz Sacilotto (1924-2003) e Lothar Charoux (192-1987). Dois artistas estrangeiros estão representados na mostra, o suíço Max Bill (1908-1994), premiado com a aquisição da sua escultura Unidade Tripartida na 1.ª Bienal de São Paulo (1951) e mestre de Wollner, e o alemão Josef Albers (1888-1976), um dos professores da Bauhaus, que teve grande influência sobre os pintores hard-edge americanos.

“A inclusão de Max Bill e Albers não significa que os concretos e neoconcretos fossem submissos à Escola de Ulm ou aos mandamentos da Bauhaus, mas um reconhecimento de que eles foram, sim, importantes referências para artistas que já praticavam a arte geométrica aqui”, esclarece Macaparana, que, nascido em Pernambuco, lembra como a arte popular brasileira sempre privilegiou a geometria, sejam as platibandas ou as barracas de festas populares nordestinas. “Isso para não falar da arte indígena”, conclui o curador, cujo objetivo foi organizar um pequeno percurso pela abstração geométrica dos anos 1950 e 1960 para mostrar que não houve propriamente “uma cisão entre os concretos paulistas e os neoconcretos cariocas, capitaneados pelo crítico Ferreira Gullar”.

Se houve uma cisão, observa Macaparana, foi mesmo com o movimento modernista de 1922, que, nos anos 1940, quando a abstração geométrica chegou ao Brasil, já esgotara seu repertório figurativo e capacidade de renovação. Não era mais a questão regionalista dos modernistas que importava num cenário desenvolvimentista, mas a sintonia com as conquistas internacionais da arte e da arquitetura que interessavam. “Tanto que Willys de Castro assinava a revista Art d’aujourd’hui, fundada por André Bloc em 1949, e Wollner e Mavignier foram estudar na Escola Superior da Forma em Ulm, Alemanha”, lembra Macaparana, herdeiro dos concretos.

CONCRETOS

Studio Nóbrega. Rua Estados Unidos, 1.162, tel. 3031-0142.  

2ª a 6ª, 10h/19h. Abre hoje (26), às 19h. Até 17/11

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