Companhia Ensaio Aberto: no palco, festa de 15 anos

Há 15 anos, a Companhia Ensaio Aberto estreou seu teatro político com O Cemitério dos Vivos, espetáculo baseado nos diários escritos por Lima Barreto no manicômio em que ficou internado. Era só o início de uma trajetória dedicada a questões como exclusão e desigualdade - presentes também na festa de debutante do grupo carioca, no riocenacontemporânea. Para o festival, o diretor Luiz Fernando Lobo e a produtora e atriz Tuca Moraes, os fundadores da companhia, trouxeram Velatura - Estação Terminal, uma adaptação do mesmo texto (do dramaturgo João Batista) de 1992. Encenada com repercussão no Spill Festival, em Londres, em abril, a performance impacta não só pela atuação de Tuca, a única em cena, mas também pelo cenário. Ele é formado exclusivamente pela obra de arte Velatura, da artista plástica Suzana Queiroga. Trata-se de um inflável de plástico vermelho, de dois metros de altura por oito de comprimento, com o qual a atriz interage. ''''Quando você entra, fica isolado do mundo, vê tudo de forma diferente'''', diz o diretor, lembrando que Estação Terminal se encaixa no repertório formado por espetáculos como Morte e Vida Severina (2000), de João Cabral de Melo Neto, e Missa dos Quilombos (2002), de Milton Nascimento, Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra. Marco na carreira do grupo, a Missa está sendo lançada em DVD por ocasião deste aniversário. Passados tantos anos de batalhas, a companhia conclui que tudo valeu a pena. ''''Não vejo muita opção a não ser a que a gente fez, pelo teatro como forma de questionamento, de participação política'''', analisa Lobo. ''''Eu sempre dizia que tinha espaço para isso, e tinha.''''

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

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