Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Começa em São Paulo a esperada exposição de Frida Kahlo

Mostra com obras da artista mexicana e de mulheres surrealistas que viveram em seu país será aberta para o público neste domingo; confira galeria de imagens

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 05h00

No Instituto Tomie Ohtake, ao lado das obras de Frida Kahlo – Conexões entre Mulheres Surrealistas no México, a curadora Teresa Arcq afirma que o enfoque da exposição é “menos dramático”. Sexualidade, repressão, intimidade, identidade feminina são questões muito presentes nas criações de Frida e das outras 15 artistas representadas na mostra a ser inaugurada neste domingo, 27, para o público. Entretanto, a biografia da celebrada mexicana – tão pop quanto Che Guevara – não eclipsa nem espetaculariza os trabalhos expostos, o que se torna uma qualidade da coletiva.

Até sexta-feira, 25, mais de 4 mil pessoas já haviam comprado ingressos para ir ao primeiro dia da exposição que, certamente, atrairá à instituição paulistana uma marca maior do que os 397.134 visitantes de sua mostra anterior, Joan Miró – A Força da Matéria, dedicada ao espanhol, expoente do surrealismo. Mais ainda, Frida Kahlo – Conexões entre Mulheres Surrealistas no México, realizada com R$ 9,5 milhões, percorrerá outras duas cidades em 2016 – entre 2 de fevereiro e 27 de março, será apresentada na Caixa Cultural do Rio e de 12 de abril a 12 de junho, na Caixa Cultural de Brasília. E, para continuar a falar em números, é importante destacar que estão reunidas no Brasil 30 obras de Frida, conjunto de 17 pinturas e 13 obras sobre papel – e desse total, 10 são autorretratos da pintora, seu gênero predileto e por meio do qual ela se tornou tão conhecida.

Sendo assim, os espectadores têm agora a oportunidade de ver destacadas obras da mexicana, como seu Autorretrato com Macacos (que abre a exposição) ou Diego en Mi Pensamiento, ambos óleos de 1943; as naturezas-mortas La Novia que se espanta al ver la vida abierta e Los Cocos (1951); ou exemplares da única experiência de Frida com a litografia – criados em 1932, em Detroit, depois de ter sofrido um aborto, e baseados em livros de anatomia (curiosamente, diz-se que a artista tinha como primeiro desejo exercer a medicina).

O que já seria um grande feito é potencializado pela exibição também de trabalhos importantes (a maior parte deles, pictóricos) das outras surrealistas, como Leonora Carrington, Remedios Varo, Maria Izquierdo, Lola Álvarez Bravo, Alice Rahon, Kati Horna, Rosa Rolanda e Olga Costa (preste atenção em seu quadro Corazón Egoísta, de 1951). Cada artista está bem representada na exposição, o que possibilita ao visitante reconhecer seus estilos e poéticas. Como afirma a historiadora Teresa Arcq, um dos fios condutores da mostra é a relação “direta ou indireta” de Frida com as artistas. Alice Rahon e Jacqueline Lamba (que foi mulher do poeta André Breton) foram, por exemplo, amantes da mexicana, casada com o pintor Diego Rivera. Entretanto, essa é uma informação secundária porque o que importa são as muitas questões trazidas nas peças e temas da coletiva.

A autorrepresentação feminina toca o fascínio pela cultura ancestral do México – e o exílio, em alguns casos –; e a relação das mulheres com o próprio corpo (para Frida, primordial). Outro destaque é a versatilidade e inquietude das criadoras representadas na exposição, que, conhece-se, tiveram experiências no teatro e na crítica de arte. Retratos fotográficos de Frida Kahlo, como os clicados por Nickolas Muray (também seu amante), permitem mais uma proximidade com a artista, assim como as recriações de seus vestidos e trajes típicos de seu país.

FRIDA KAHLO – CONEXÕES ENTRE MULHERES SURREALISTAS NO MÉXICO

Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201, 2245-1900. 3ª a dom., 11h às 20h. R$10 (3ª grátis). Até 10/1. 


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